quarta-feira, 21 de maio de 2014

O privilégio da oração


Por Alexandre Nobre

“Eu, porém, faço a minha oração a ti, Senhor, num tempo aceitável; ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericórdia, segundo a verdade da tua salvação.” (Sl 69:13)


Uma colega postou em uma rede social que houve um aumento no uso de antidepressivos  na última década; essa informação, porém, não me surpreende. A tecnologia, os meios de transporte mais acessíveis e a facilidade de informação e comunicação poderiam minimizar distâncias e aproximar mais as pessoas; no entanto o contrário tem ocorrido e a solidão impera, principalmente nas grandes cidades. Pessoas que aparentemente vivem rodeadas de amigos choram sozinhas em seus quartos. Realmente são dias trabalhosos.
Invariavelmente, seja você um cristão ou não, todos podemos passar por momentos de depressão e angústias extremas. Mas, você pode estar se perguntando, o que esse assunto tem a ver com a oração? Tudo! Isso mesmo; eu tenho provado em minha vida o favor da oração e, como procuro escrever a partir de experiências reais e pessoais, senti o desejo de compartilhar com vocês como a oração pode, em diversas situações, ser um refúgio aqueles que sofrem e oferecer grandes benefícios aos que a praticam.
Obviamente, não é a oração em si que pode nos trazer alívio; pois ela é apenas um meio pelo qual nos comunicamos com Deus e Dele, apenas Dele, pode vir o socorro nos momentos de tribulação. Tiago escreveu que “a oração de um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5:16); e aí encontra-se um mistério ainda maior: a oração beneficia não apenas quem ora, mas sobre aqueles por quem oramos. Por isso, insisto que a oração deve ser uma prática constante em nossas vidas.
Mas o que podemos fazer quando nos sentimos fracos, desanimados, e não temos forças para praticar a oração? A resposta, assim como a prática, não é fácil, mas é pela experiência nas situações vividas que vemos que vale a pena insistir na oração, pois como tudo o que é relacionado à vida espiritual, precisamos batalhar para mantermos nossa disciplina e agir de acordo com as forças que do Senhor recebemos.
Quero apenas apresentar nesse texto o tema proposto: o privilégio que temos em orar. E isso baseado nas Escrituras, pois é pela Palavra que aprendemos quando e como orar.
A oração como forma de adoração: Adorar a Deus atualmente parece algo distante em muitas igrejas. As músicas e orações estão demais centralizadas no homem e o resultado disso é um compromisso fraco, oco e sem frutos. A oração não é apenas pedir; a petição sim faz parte dela, mas por mais óbvio que seja não é apenas pedir. É necessário exaltar ao Senhor e isso só é possível se O conhecermos através dos seus atributos; vejamos um exemplo:
“Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade." (Ex 34:6);
“Óh Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, que habitas entre os querubins; tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra.” (Is 37:16);
“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (Jo 17:3).
Perceberam? Moisés declarou a “longanimidade” de Deus; Isaías afirmou Sua “soberania” e o próprio Senhor Jesus expressou, em Sua oração sacerdotal, a “onipotência” de Deus. As nossas orações devem admitir a natureza do nosso Deus e Seus atributos; se você não conhece quais são, recomendo que estude os atributos de Deus. Um bom começo é o livro de A. W. Pink: “Os atributos de Deus”. No final dessa postagem vou deixar o link para download desse e-book em um site totalmente autorizado para esse fim.
A oração em forma de súplica: É evidente que precisamos clamar a Deus em nosso socorro quando precisamos. O próprio Senhor nos estimula a isso em Sua Palavra (Fp 4:6); vejamos:
“Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos; endireita diante de mim o teu caminho.” (Sl 5:8);
“Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade.” (Sl 6:4);
“O pão nosso de cada dia nos dá hoje.” (Mt 6:11).
Clamar ao Senhor por socorro ou por bens é totalmente confirmado nas Escrituras, inclusive pelo próprio Senhor Jesus. Agora por último, veremos:
A oração em forma de agradecimento: O Senhor nos assegura que nossa oração é ouvida e atendida. João escreveu isso claramente: “E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.” (I Jo 5:15). Vejamos alguns exemplos de oração em agradecimento:
“Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor; e o meu espírito em Deus meu Salvador. Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é o Seu nome” (Lc 1:46-48, 49);
“Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre.” (Sl 30:12);
“A ti, ó Deus, glorificamos, a ti damos louvor, pois o teu nome está perto, as tuas maravilhas o declaram.” (Sl 75:1);
E direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, fazei notório os seus feitos entre os povos, contai quão excelso é o seu nome.” (Is 12:4).
Como podemos ver a oração é um momento de íntima comunhão entre Deus e Seus filhos.  Há nas Escrituras encorajamento do próprio Senhor para que O busquemos num relacionamento mais próximo e que nossa oração seja feita de forma livre, sem fórmulas ou regras. Por isso quero esclarecer que, apesar de eu ter apresentado tipos ou características de orações, o meu conselho é que você siga as orientações do Senhor quando disse:
“Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” (Mt 6:6).
Percebe? A oração é algo de secreta intimidade com o Senhor. Então, não se prive desse privilégio: Ore! Tem uma frase do teólogo americano do século XVIII, Jonathan Edwards, que diz: “Ore até que você tenha orado”. Seja insistente, persistente; lembram-se da viúva pobre em Lucas 18:1-8? John Bunyan, pregador e puritano do século XXVII disse: “Ore com frequência, porque a oração é um escudo para a alma, um sacrifício a Deus, e um flagelo para Satanás”.
Portanto meus irmãos agarrem-se à oração. Lembram-se do início do texto, sobre a aflição de nossos dias, o aumento da depressão e a solidão tão presentes nos dias atuais? Pois para isso a Palavra, sempre atual, nos aconselha através do nosso irmão Tiago: “Está alguém entre vós aflito: ore”. (Tg 5:13).
Agora respondendo à pergunta do início, sobre o que podemos fazer quando nos sentimos fracos e desanimados, meu conselho é:
1. Coloque-se diante de Deus; não tenha pressa;
2. Procure nesse momento trazer à sua memória aquilo que Deus fez no passado, as obras de Suas mãos;
3. Medite, se possível, em alguma passagem das Escrituras, de preferência algum salmo onde os atributos de Deus são citados diversas vezes;
4. Adore ao Senhor pelos Seus atributos; procure entender cada um deles; deleite-se em saber que nosso Deus é esse Ser tão completo em Si, tão grande e poderoso e que ao mesmo tempo nos olha com Seu olhar de misericórdia.
Como eu disse, não há regras para orar, mas esses passos muitas vezes me ajudaram a iniciar uma oração, quando estava fraco e cansado. Confesso que preciso orar mais; acredito que você também, por isso não negligenciemos nossos momentos com nosso Pai, pois fazê-lo seria como um doente que foge do lugar de cura ou do prisioneiro que esconde-se das portas abertas de sua prisão. Ore com seu coração aberto, confiando que Deus te ouve e que em Seu tempo te responderá.
Abaixo vou deixar mais um link para um ótimo texto, que apresenta, entre outras formas de crescer na graça, também a oração. Recomendo a leitura.

 
Que o Deus de paz nos ajude!
 
 
Download do e-book sobre os atributos de Deus: Os atributos de Deus
Se o link não funcionar, me escreva que terei prazer em te enviar o e-book – anobre77@yahoo.com.br

Crescer na graça e oração: Crescer na graça e na oração

 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A dor do pecado

Por Alexandre Nobre

“Quando eu guardei em silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido todo o dia.” (Sl 32:3)

Uma noite dessas acordei com uma forte dor de cabeça. Era mais ou menos 1:30 h e, por conhecer as características da minha dor, sabia que não ia passar se eu não tomasse um remédio e fizesse uma compressa com água quente. De nada adiantaria tentar dormir, eu deveria me levantar e tomar meu remédio, além de esquentar água para a bolsa térmica, o que ajuda a aliviar a dor. Nesse meio tempo o sono acaba sumindo e o foco passa a ser a dor. Mas ela em si não me assustava e, por mais forte que estava, eu sabia que bastava um analgésico e uma hora com a bolsa sob a cabeça que a dor desapareceria e eu voltaria a dormir.
Amo a madrugada; de verdade. Acho que não há melhor momento para meditação do que quando tudo está em silêncio e sempre que posso gosto de meditar em algum livro que estou lendo ou em algum trecho das Escrituras; e assim o fiz. Pensei na minha dor física e me veio à mente uma outra dor, muito mais latente e cruel: a dor do pecado.
Eu sou fraco … peco a todo instante, assim como você. Mas não poucas vezes deixei que o pecado tomasse uma proporção maior dentro de mim e, como costumo dizer: em minha peregrinação procurei repouso em lugares hostis.
Uma das coisas mais difíceis para o homem é admitir seus pecados, mesmo sabendo que Deus os esquadrinha com total iluminação, somos tentados a esconder nossas misérias como uma criança que, em vão, tenta esconder a bagunça dos pais.
Um comprimido pode tranquilamente acalmar a dor física; mas o que dizer, ou melhor, o que fazer para acalmar a dor que o pecado traz? Parece uma questão simples de se responder, porém na prática a coisa não funciona assim; há um caminho espinhoso e humilhante a percorrer aquele que, com sinceridade, procura a forma cristã de tratar a dor que o pecado traz: a confissão.
Lembra do versículo citado acima? Olhe para quem o escreveu … veja um homem forte no corpo, hábil em batalhas; porém como eu e você, propenso à quedas morais, à ira e a toda sorte de pecados que nossa maldade pode produzir; e como produz! Vemos um jovem sendo escolhido por Deus para reinar sobre Israel e sendo honrado em seu reinado, vencendo batalha após batalha, sendo ainda segundo o coração de Deus (At 13:22), mas sucumbiu àquela estrada que, desde Adão, todos trilham: a estrada do pecado.
A Bíblia é clara em relação a isso: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Mas o que me faz escrever esse texto não é tratar sobre o porquê pecamos; mas como lidar com a dor do pecado, como se afastar dessas garras frias e afiadas que podem nos trancar em um poço de desespero e aflição. Aquele que nunca passou por essa aflição, sendo um sincero cristão, um dia passará. Pecamos desde o princípio e seria ingenuidade pesar todos os pecados com um único peso. Todo pecado é pecado; quanto à penalidade sim, todos serão punidos (Ez 18:4); porém quanto à gravidade há diferenças entre eles, pois se assim não fosse não estaria escrito: “Toda iniquidade é pecado, e há pecado que não é para a morte” (I Jo 5:17); ou ainda “Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens … qualquer, porém, que blasfema contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão” (Mc 3:28-19).
Não estou afirmando, no entanto, que o arrependimento deva ser diferente para diferentes pecados; não é isso! Todo pecado será julgado e condenado, por isso o menor deles deve ser tratado com total e pleno arrependimento diante de Deus. A questão aqui é que há pecados que abalam de forma mais arrasadora nossa estrutura; o olhar para uma mulher com cobiça já é adultério (Mt 5:28), mas nenhum casado diria que a dor da cobiça é igual à dor do ato de adultério.
A saída para a dor e angústia, então, está no arrependimento e confissão sinceros. Nisso o salmista estava certo e em sua experiência nos deu o exemplo de como devemos agir nas horas angustiantes que passamos quando somos assolados pela culpa do pecado: “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado.” (Sl 32:5). João também segue a mesma linha escrevendo: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 19).  
É preciso confessar, e na confissão expor com paciência e submissão cada pecado, como que entregando cada um deles a Deus, para que Ele trate, limpe, purifique e finalmente perdoe nossas falhas. Parece fácil? Mas não é! Confessar pecados requer submissão e explaná-los diante de um Deus santo não é simples. Muitas vezes nos envergonhamos e, em oração, fazemos uma confissão superficial de nossos pecados, isso quando o fazemos.
E com Deus, não podemos agir como agimos com os homens. Atualmente tudo é muito superficial: as conversas, as amizades, as relações; enfim, tudo acaba ficando na superfície. Quando foi a última vez que você e eu cumprimos o conselho de Tiago e confessamos os nossos pecados e nossas culpas a algum irmão? (Tg 5:16). Se expor dói; e essa dor não deveria ocorrer, pois quando nos expomos fazemos o que ordena a Palavra. Assim fizeram os profetas (Is 6:5), os reis (Sl 51), os apóstolos (Rm 7:24) e tantos outros; e assim devemos fazer.
Confessando nossos pecados com os nossos irmãos nos faz dividir a carga e confessando-os a Deus nos faz limpos em Tua presença. Por isso, se eu hoje escrevo, escrevo aquilo que aprendi lendo a Bíblia e também textos dos puritanos, que tratavam do pecado e seus efeitos de maneira corajosa, sem enfeites nem malabarismos comuns aqueles que nada compreendem das Escrituras.
Naquela noite foi de grande proveito meditar nisso e saber que o caminho da confissão, arrependimento e abandono do pecado é bíblico. Por isso, quando nos sentirmos culpados, corramos com paciência e submissão à presença de Deus, confessando nossas culpas com sinceridade, conhecendo que nosso Deus conhece nossos mais íntimos sentimentos. Confesse ... chore ... deixe seu pecado aos pés do Senhor ... mas não se cales até que sua alma seja inundada pelo perdão do Senhor.

Que o Deus de paz nos ajude.



sábado, 29 de junho de 2013

O que te basta?

Por Alexandre Nobre

Os dias em que estamos vivendo entrarão sem dúvidas para a história. Protestos, reivindicações, manifestações; o direito que temos foi (e está sendo) gritado aos quatro cantos do Brasil e até em alguns lugares do mundo. É a cidadania em plena força em nosso país; brasileiros, filhos dessa nação, reivindicando o que é seu por direito. Isso é bom, porque temos acordado e pesado na balança o que temos e o que nos fora prometido; e o resultado foi esse: o que temos está aquém do que nos foi prometido; queremos mais, queremos nossos direitos, afinal foram prometidos, então queremos o que é nosso e o que temos não nos basta.

Se na vida política qualquer solicitação é mais do que justa e necessária, na vida espiritual qualquer requerimento por direitos prometidos pode ser danoso e herético. E infelizmente, vemos um não pequeno número de cristãos orando, pregando e cantando suas reivindicações, alegando que todas são promessas não cumpridas e que, por natureza, são deles por herança. Vamos analisar essa questão à luz das Escrituras e aí nos perguntaremos: O que, de fato, nos basta? Ou ainda, o que temos como cristãos, é suficiente?
            A Palavra de Deus é repleta de promessas. Através de Cristo, temos a garantia de vitória certa. Mas que tipo de vitória estamos falando? É aí que apenas uma boa exegese separa o joio do trigo, e coloca cada coisa em seu devido lugar. Há promessas sim; há vitória sim; mas ambas estão relacionadas à verdadeira vitória: vida eterna. As benesses intermediárias no processo de caminhada espiritual do cristão não podem ofuscar o alvo: salvação em Cristo. Claro que essas benesses vêm de Deus, inclusive sobre os ímpios! Sim, é a graça comum de Deus. Veja a chuva que cai sobre justos e injustos; o sol que brilha sobre todos; a prosperidade dos ímpios inclusive foi tema do salmista no salmo de número 73; vejamos: “Pois eu tinha inveja dos néscios; quando via a prosperidade dos ímpios; porque não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força” (versos 3 e 4). E por serem os ímpios alvos também da graça comum, as conquistas nessa terra, espiritualmente falando, não são prerrogativas de filiação divina, mas são para a glória de Deus; mas o contrário disso não é para a vergonha, pois ainda que o fracasso ocorra, o cristão tem em si o maior tesouro: a segurança da sua salvação em Cristo. Dessa forma, o conceito de vitória (espiritual) em nossos dias está totalmente deturpado. Daí, quando uma parte de cristãos evangélicos olha para os reveses da vida, forma uma teologia própria baseada em versículos isolados e disso sai uma das heresias mais nocivas dos nossos tempos.
            Nesse ponto, voltamos, então, a falar sobre reivindicar, protestar, exigir, requerer algo que foi prometido e que ainda não chegou. Sobre essa base formam-se pregações, músicas, mensagens, etc. Deus então passa da posição de Senhor para servo sem que se consiga perceber; o crente determina e Deus faz; simples assim. Mas não pensem que isso é fácil de identificar, pois não é. Geralmente, na pregação ou canção, há uma mistura de conceitos, alguns biblicamente corretos, que se não forem bem separados e analisados vendem a ideia de um Deus servil, que é feito apenas para abençoar.
            Não preciso expor minha opinião em relação à qualidade e fidelidade bíblica das músicas cristãs da atualidade; mas o fato é que o antropocentrismo tem tomado conta de nossos cultos, seja através da pregação ou nas canções. Por falar em música, não tem quem não ouviu exaustivamente canções biblicamente pobres como:
“Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na bênção vão se arrepender”;
“Deus quero minha herança, não importa tanto tempo, é preciso esperar...”
“Restitui, eu quero de volta o que é meu...”
“Eis que um novo vencedor está chegando aí e vai impactar o mundo com a sua história”.

Você consegue perceber? Quando não se exige de Deus, há uma exaltação do homem; isso está errado! Não se pode ou se deve “querer” ou “exigir” nada, pois tudo vem de Deus e nada, absolutamente nada em nós merece qualquer favor do Senhor. “Querer de volta o que é meu”? Mas meu mesmo, de verdade, é apenas uma natureza caída, afundada no mais tenebroso e podre pecado que me puxa ferozmente ao mais profundo inferno, lugar do qual nunca mereceria sair, se não fosse a graça de Deus através de Jesus Cristo. A pregação antropocêntrica é outra figurinha carimbada nos púlpitos cristãos. Não importa quão ruim as coisas estão; basta você declarar e profetizar, basta comprar o lenço ungido ou fazer a corrente dos 300 pastores que tudo mudará. Se ainda quiser algo mais impactante (pra não dizer bizarro) você pode andar pelo vale de sal ou levar a rosa ungida pra casa; é simples ... sofrer pra quê? E nessa levada, o poder de Deus é empacotado, limitado a uma rosa, água, votos, pão, etc.
            Então, consideramos que a reivindicação cristã atual é por vitórias que mais parecem a lista de desejos do ganhador da mega-sena. Isso sem contar os testemunhos: Quem não tinha nada passa a ter tudo ... quem estava à beira da morte é curado ... e o camarada que estava com a empresa praticamente falida se recupera e até abre uma filial! O bem-estar do homem acima de tudo ... os fins justificando os meios. Não estou dizendo que isso é impossível de acontecer, nem tão pouco afirmando que, quando acontece, não é obra de Deus; absolutamente! Tudo é para a glória de Deus. O que me assusta é a corrida da “benção”, a busca da cura, seja através de votos e promessas ou até mesmo pelo suor do “homem de Deus”; isso não pode acontecer.
            Por isso, é necessário estarmos atentos, pois exigir do homem é fácil, mas de Deus não se exige nada; em relação a Deus nosso comportamento deve ser de total submissão, esperando do Senhor aquilo que Lhe apraz.
            Os conceitos de vitória cristã atual e a vitória cristã bíblica foram com muita propriedade expostos no livro “A verdadeira vitória do cristão”, de MaurícioZágari. Neste livro ele escreveu o seguinte: “Na época do fast food, preferimos seguir o que o pastor da TV ensinou em 15 minutos do que gastar tempo com a Bíblia, com os melhores teólogos e os grandes escritores da nossa Historia. Logo, comemos junk food espiritual, comida sem nutrientes, cheia de impurezas e que pode provocar inanição da alma. Também, ávidos por parar de sofrer, nos engajamos em campanhas e correntes as mais variadas, que nos levam muitas vezes a fazer ‘despachos gospel’ e ‘simpatias evangélicas’ com rosas, copos d’água, lenços e outros patuás. Queremos prosperar. Por essa razão, buscamos nosso ‘sócio comercial’, Jesus, esquecendo que Ele mesmo afirmou que seu Reino não é desse mundo. Fazemos de tudo pela ‘vitória’. Esquecendo o verdadeiro Jesus, o Verbo encarnado, e inventamos um Jesus genérico, que (esperamos) vai nos conceder benefícios materiais caso cumpramos ‘seus’ pré-requisitos. (p. 34).
            Você consegue entender qual é a situação da igreja nos dias de hoje? Essa é a razão de estarmos atentos, pois o conceito da soberania de Deus não pode ser deturpado de acordo com a cobiça em busca de multidões ou pela ânsia de bens materiais.

            Por isso, quando pensarem em protestar ou reivindicar, façam a homens, como o que temos visto nos dias de hoje; mas com Deus, sua única posição deve ser a de servo, quebrantado, humilhado diante de um Deus todo poderoso e Santíssimo. Diante de Deus, sigam o conselho do nosso irmão Tiago: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ELE vos exaltará.” (Tg 4:8-10).

Quero compartilhar com vocês uma música que há tempos não vemos sendo cantada em eventos evangélicos; ouça-a com a alma e perceba a diferença entre a música antropocêntrica e teocêntrica:


E lembrem-se, quando te incitarem a requerer de Deus, tenham em mente as Palavras de Jesus: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Co 12:9).


Que o Deus de paz nos ajude.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A má notícia e as boas novas

Por Alexandre Nobre

Uma noite, no fim do culto, um homem entrou na igreja em que eu congrego e começamos a conversar sobre as consequências daqueles que não buscavam a Cristo e partiam desse mundo. Ele, apesar de não ser um cristão, parecia preocupado, ou pelo menos incomodado com o sofrimento que o inferno representava. Nessa conversa, tentei lhe explicar que, o pior do inferno não seria apenas o sofrimento; o sofrimento sim faria parte de um todo, mas a pior coisa que aconteceria era a total e eterna falta de comunhão com Deus. Ainda que o inferno não trouxesse o sofrimento ou, como alguns acreditam, ainda que as almas caíssem num sono profundo e eterno, o pior castigo certamente seria a exclusão de uma vida de comunhão com o Senhor. Nenhum lugar, por melhor que seja, é bom se não se puder desfrutar da comunhão com nosso Deus. E um paralelo, ainda que em um grau bem menor, foi vivido pelos filhos de Israel conforme veremos a seguir.
            A cena que se via foi extremamente chocante para Moisés. Deus já havia dito que o povo havia se corrompido e se desviado do caminho; mesmo assim o que se viu causou grande furor em Moisés (Ex 32:19) e a explicação de Arão foi uma só: “... tu sabes que esse povo é inclinado ao mal” (Ex 32:22). Essa era e sempre será a condição do homem: inclinação ao mal. Apesar de Moisés advogar junto ao Senhor por aquele povo, a idolatria não ficaria em vão. Aconteceu então que: “Disse mais o Senhor a Moisés: Vai, sobe daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito, à terra que jurei a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: A tua semente te darei. E enviarei um anjo adiante de ti ... porque eu não subirei no meio de ti, porquanto és povo obstinado, para que te não consuma eu no caminho” (Ex 33:13).
            Até aqui, apesar do pecado do povo, o castigo de Deus não parecia dos mais severos; o povo ainda assim tinha a promessa de alcançar a terra prometida. Mas a sentença dada fez com que o povo abrisse os olhos para a maior dádiva recebida: a presença de Deus entre eles; vejamos o que aconteceu: “E, ouvindo o povo esta má notícia, entristeceram-se, e nenhum deles pôs sobre si os seus atavios.” (Ex 33:4).
            O desenrolar da história podemos conferir nas Escrituras, mas o foco aqui é ver a reação do povo quando se ouve que Deus não subiria no meio deles: eles entristeceram-se! Esse é o resultado prático daquele que ouve uma má notícia: a tristeza vem; e com ela o vazio de quem olha a situação e nada pode fazer.
Se formos comparar essa situação de uma forma macro para a situação do homem de todos os tempos, poderemos encontrar similaridades aos montes. A sentença da ausência de Deus foi resultado da prática da idolatria do povo; mas essa idolatria é a manifestação externa da maldade do homem, da sua necessidade de criar para si um substituto de Deus. Isso sem contar que a desculpa de Arão para a idolatria do povo é fatalmente nossa natureza mais íntima: “... esse povo é inclinado ao mal”.
Esse povo sou eu, é você; não adianta tentarmos exibir nossa fantasia de caridade, nem nos agarrarmos em nossas “boas” obras, pois sabemos e conhecemos a realidade que habita em nós. Lembra-se de Adão e Eva? Mesmo com todas as regalias e benesses do paraíso, bastou uma oferta da serpente para que o fiel da balança se movesse, infelizmente na direção errada. Aliás, esse é um dos temas mais debatidos no meio teológico: a depravação total do homem. Somos inclinados ao mal, essa inclinação é fruto do pecado e corrupção do homem, por isso temos, assim como o povo de Israel, o mesmo diagnóstico conforme Paulo escreveu aos Romanos, veja: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Dessa vez a sentença não é apenas sobre um povo, mas sobre todos... todos foram separados de Deus e essa má notícia pairava sobre os homens numa sentença imutável.
Porém, como diz as Escrituras, o Senhor teve misericórdia dos homens e essa misericórdia se manifestou no nascimento, vida, morte e ressurreição do Seu filho Jesus Cristo. E quando apenas a má notícia pairava sobre o destino da humanidade, um anjo do Senhor apareceu a três pastores, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E diz as Escrituras: “... não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo; pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lc 2:10-11).
            Percebemos que nossa situação foi transformada radicalmente, pois o que se podia comentar era que as más notícias tinham ficado pra trás; boas novas de salvação poderiam ser proclamadas, pois Ele veio para libertar os cativos; Ele veio para iluminar nossas trevas, pois de Si mesmo falou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12).
            Portanto, hoje somos alcançados por essa boa nova de salvação. Outrora, estávamos como os filhos de Israel, andávamos sob essa má notícia, ou talvez ainda pior, pois enquanto os filhos de Israel caminhavam para a terra que mana leite e mel, nós andávamos como cegos em direção a um abismo eterno, longe da comunhão com nosso Deus. Talvez, em algum momento, direcionamos nossos olhos para algo que, de forma infinitamente débil, tentou substituir o lugar de Deus em nossas vidas, porém lembramos-nos das Palavras do nosso Salvador quando perguntou: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (MT 16:26). Nada se compara à presença de Deus em nossas vidas, por isso hoje e sempre as boas novas são novas de grande alegria, pois Nele temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça (Ef 1:7). No relato bíblico inicial vemos que o próprio Moisés reconhecia de forma absoluta a necessidade da presença de Deus, pois ele mesmo rogou ao Senhor: “Se a tua presença não for conosco, não nos faça subir daqui.” (Ex 33:15).
            A experiência com aquele homem que parecia tão incomodado com o sofrimento do inferno me fez perceber que esse incômodo e desesperança não precisam habitar em mim, pois fui salvo na cruz pelo meu Redentor, e não somente salvo da ira, mas salvo do abismo de separação que havia entre Deus e eu. A partir do dia em que ouvi as boas novas de salvação e recebi a graça posso descansar, pois confio nas promessas de Deus e na Sua presença. Retenhamos então firme a nossa confissão!!


Que o Deus de paz nos ajude!

sábado, 10 de novembro de 2012

As promessas da Palavra de Deus


Por Alexandre Nobre

            Ultimamente há, no meio evangélico, uma enxurrada de matéria-prima para consolar e exaltar o homem, seja por meio de livros, músicas ou pregações. Se analisarmos friamente o material evangélico produzido, veremos que há em todos eles um antropocentrismo que busca colocar o homem em uma situação confortável, a despeito de seus pecados e seu estado irregenerado.
            Mas falando de consolação, quando corre a notícia de que um “grande homem de Deus” está pregando, orando e curando, muitos se aglomeram em busca de algo que possa satisfazer seus desejos e consolar suas aflições. Mas até aí, o que parece ser inofensivo, pode se tornar um costume antibíblico, pois a busca por sinais, na maioria das vezes, tira o foco do verdadeiro alvo da nossa adoração: Jesus Cristo.
            O evangelho fast-food dos nossos dias apresenta uma resposta rápida aos problemas enfrentados; é uma caixinha de promessa onde se abraça aquilo que convém e se descarta o que não agrada. É lamentável ver que uma grande quantidade de cristãos evangélicos nunca leu as Escrituras em seu todo; e uma boa parte, quando a lê, faz de forma mecânica, sem um estudo sistemático daquilo que se lê. Falta, portanto, um olhar mais crítico sobre as palavras da Bíblia, porém não se entenda “crítico” como aquele que olha o texto de cima, procurando nele incoerências; deve-se ler a bíblia de forma crítica procurando extrair de seu texto aquilo que de mais profundo ela pode oferecer, indo além de seu contexto imediato, portanto lendo com os olhos de servo.
            John MacArthur traça um perfeito quadro dessa situação: “Os gurus do movimento de crescimento da igreja se preocupam com o que atrai a multidão, e não com aquilo que a Bíblia diz. Devido ao bem sucedido apelo à carne não redimida, os pregadores da prosperidade fazem do homem o mestre, como se Cristo fosse um tipo de gênio da lâmpada – obrigado a conceder saúde, prosperidade e felicidade aqueles que enviam dinheiro o suficiente.”¹
            E os frutos desse antropocentrismo gospel em torno, como foi descrito, de músicas pregações, livros e do evangelho “fast-food” geram cristãos débeis, vazios da consolação das Escrituras e por muitas vezes, falta-nos coragem em denunciar essa busca por cisternas rotas, que não retém água (Jr 2:13). Essa analogia é perfeita, pois a consolação que muitos têm buscado através de homens, por um momento pode funcionar, mas por não reter a verdadeira água (Jo 4:14) tal cristão voltará a ter sede, e isso culminará em um ciclo sem fim, pois “(...) Eles diluem o evangelho, encurtam ainda mais seus ralos sermões e adaptam uma estratégia de marketing para seu ministério. Ao fazerem isso, rebelam-se contra Cristo.”¹
            Somente Jesus Cristo, através das Escrituras, pode nos consolar. Não são as lágrimas geradas por músicas que mais glorificam ao homem do que a Deus; nem tão pouco mensagens e revelações criadas a partir de emocionalismo que trarão consolo aos nossos corações, mas a verdadeira Palavra de Deus.
            O livro “Graça abundante ao principal dos pecadores”, de John Bunyan, apresenta um interessante exemplo de como a Palavra vida de Deus pode favorecer o abatido:
“De fato, quando me assusto, ainda que com nada além de minha sombra, Deus, sendo muito terno para comigo, não permite que eu seja maltratado, mas me fortalece com um ou outro versículo, contra tudo, em tal extensão, que tenho sempre dito que poderia orar, se fosse lícito, pedindo-Lhe uma aflição maior, para receber maior consolação.”²
            Não foram poucas as vezes em que Bunyan foi assolado por temores e lutas quando esteve preso por 12 anos. Não foram “profetas” determinando sua vitória, nem muito menos profetizando a exaltação sobre sua vida que o consolou, mas a Palavra o consolava contra tudo.
            Se o Espírito Santo, segundo a promessa de Cristo, nos faria lembrar de tudo quanto ouvimos do mestre (Jo 14:26), torna-se impossível lembrarmos de algo que não conhecemos por negligência no estudo sistemático das Escrituras.
            Definitivamente não há atalhos para a comunhão com Deus, senão uma vida de oração intensa e meditação nas Escrituras. A consolação que temos nela é garantida através dela, vejamos:

“Isto é a minha consolação na minha aflição, porque a tua palavra me vivificou”. (Sl119:50);
 “Sirva pois a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra que deste ao teu servo”. (Sl 119:76);
“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.” (Rm 15:4)

            Por isso que vimos, é sempre necessário voltarmos nossos olhos para a Palavra, pois em todas as aflições somos consolados por ela, pois conhecemos a benignidade de Deus e por ela temos esperança. Consolemos uns aos outros, na medida que somos consolados, com essas Palavras.

Que o Deus de paz nos ajude!

¹ MACARTHUR John. Escravos. Editora Fiel
² BUNYAN, John. Graça abundante ao principal dos pecadores. Editora Fiel

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A fragilidade do homem

Por Alexandre Nobre


          Esses dias tive a oportunidade de assistir novamente um filme de 1998 chamado “Impacto Profundo”. Nesse filme, um astrônomo mirim descobre que um cometa de 11 km está em rota de colisão com a Terra. O filme retrata duas tentativas de interferir na órbita do cometa, na primeira a tentativa de instalar ogivas nucleares no interior do cometa; na segunda, mísseis russos foram disparados em direção ao cometa, porém, ambas tentativas sem sucesso. No final, o grupo de astronautas destacados para a missão toma uma atitude radical: com algumas ogivas nucleares na nave, eles resolvem combater o cometa com a própria nave, o que minimizou as conseqüências do impacto do cometa com a Terra.
            Independente da opinião sobre a possibilidade disso acontecer, uma coisa é certa: somos extremamente frágeis em nossa estrutura, seja em nossos corpos, seja em nosso planeta; estamos vulneráveis. Mas, e quanto à nossa alma? Que segurança temos? Se pensarmos friamente sobre isso, ao homem não sobra nenhuma esperança! Não estou sendo fatalista, mas desde que recebemos o pecado como herança o homem aprendeu a andar por um único caminho: o caminho que leva ao inferno.
            Se estamos debaixo dessa fragilidade, o que poderíamos fazer para alcançar a segurança? Sabemos pela Palavra; há apenas um caminho: a graça de Deus por intermédio de Seu filho Jesus Cristo.
            Mas o meditar nessa fragilidade deveria nos fazer agarrar à nossa fé mais do que tudo. Se em algum momento sentimo-nos capazes ou autossuficientes, devemos voltar nossos olhos às Escrituras e entender a nossa real situação. Veja as palavras do salmista quanto à situação:
“Faze-me conhecer, SENHOR, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil.” (Sl 39:4)
            O despertar dessa realidade só pode vir de Deus; o homem que vive sua vida longe da graça de Deus permanece no cume de seu orgulho e não percebe sua fragilidade; e o homem que vive sob a graça de Deus deve, por dever, pedir em orações, súplicas e lágrimas esse mesmo despertamento: “Mostra-me minha fragilidade, Senhor!”.
O famoso sermão pregado por Jonathan Edwards em 1741 (Pecadores nas mãos de um Deus irado) atravessa nossa soberba como uma espada afiada. Nele, Jonathan Edwards apresenta o verso 35 do capítulo 32 do livro de Deuteronômio: “... a seu tempo, quando resvalar o seu pé” como um alerta aos ímpios sobre quão perto estão do abismo que consumirá suas almas eternamente. É fortemente apresentado a ideia de como, a qualquer tempo, os ímpios podem ser consumidos pela vingança do Senhor: “Eu insistiria agora num exame maior das seguintes palavras: não há nada, a não ser a boa vontade de Deus, que impeça os ímpios de caírem no inferno a qualquer momento.”
Se pudermos fazer um paralelo com a situação do filme mencionado acima com o que acontece com o ímpio, veremos que é a mesma situação, ambos encontram-se em perigo, como escreveu Edwards. Ambos estão a um passo do abismo e não há nada neles mesmos que possam fazer para mudarem essa situação; se não for a graça de Deus, ambos estão sujeitos ao perigo e à destruição.
Davi apresentou a fragilidade do homem nos salmos de forma impactante. Se mergulharmos no salmo 39, veremos que a intenção de Davi, inspirado pelo Espírito Santo, é mostrar a efemeridade do homem. No verso 11 do capítulo 39 ele enfatiza isso: “Quando castigas o homem, com repreensões por causa da iniqüidade, fazes com que a sua beleza se consuma como a traça; assim todo homem é vaidade. (Sl 39:11). Todo homem é vaidade! Não apenas o ímpio, mas todos. Estamos o tempo todo debaixo de uma chuva de vaidades que procuram ocupar o lugar de Deus em nosso coração; em nosso tempo. Os programas de televisão, amigos, trabalho e até a nossa família pode nos privar do tempo com Deus, da comunhão através da oração.
Obviamente, aqueles que estão sob a graça de Deus e foram chamados à salvação sabem que devem atentar para essa situação e fugir das futilidades do mundo. Mas é sempre conveniente a exortação de que, se Satanás tem soprado em nossos ouvidos a rebeldia de forma camuflada, devemos lembrar de quão frágeis somos; de como a salvação é algo raro, único e devemos fazer firme nosso chamado, como Pedro escreveu em sua segunda carta: Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” (II Pe 1:10).
Sejamos firmes, constantes e fujamos de tudo aquilo que não tem aparência de mal, mas que em si traz a capacidade de sugar nosso tempo e nos envolver de tal forma que nos esqueçamos o quanto precisamos da comunhão íntima com Deus.
Esquadrinhemos nossa mente completamente pela Palavra, não descansaremos, nem tenhamos sossego até que nossa fragilidade seja claramente exposta e então, percebendo-a, correremos tão avidamente aos cuidados do Senhor, que dessa forma sim seremos fortalecidos por Aquele que tem todo o poder.  
Somos frágeis, não corramos o risco de nos afastar Daquele que é nossa força, nosso abrigo; se negligenciarmos o abrigo que o Senhor tem para nós através da comunhão, alegando que somos fracos e o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza, estamos sendo preguiçosos e heréticos, usando texto fora de contexto para apoiar nossa apatia ou provar nossa dislexia. Busquemos ao Senhor enquanto podemos achar, invoquemos enquanto Ele está perto.

Que o Deus de paz nos ajude.            

sábado, 4 de agosto de 2012

Onde está o teu Deus?


Por Alexandre Nobre

            Vivemos num tempo em que somos constantemente vigiados. É quase impossível ocorrer um fato importante e o mesmo passar despercebido pelos meios de comunicação. Com o avanço da tecnologia e a rapidez na transmissão de dados, estamos totalmente imersos em uma teia que conecta seus indivíduos; é a tal da globalização.
            E, em meio ao conhecimento compartilhado, uma outra característica surge nesse cenário: a competição; principalmente no meio profissional, mas não restringido a ele. Há, de forma geral, uma corrida por estar à frente; ser o melhor, ou pelo menos estar em uma posição mais agradável; e assim, os que não se encaixam nesse perfil, são considerados perdedores, fracos, tímidos demais para a nova fase da história humana.
            Com o advento das redes sociais, essa competição assume características de orgulho e necessidade de aprovação: não há perdedores no mundo virtual; nem fracos em quaisquer outras redes sociais. Ali é o universo onde todos parecem felizes e bem sucedidos.    Mas e por trás das cortinas? E quando os monitores são desligados e não há mais conexão? O que fazer quando nos pedem satisfação da nossa ausência no pódio e percebemos que estamos nos últimos lugares da fila?
            No meio cristão não é diferente. O neopentecostalismo trouxe a ideia de que “somos mais do que vencedores” e que “derrota não é coisa de cristão”. Mas o que parece bonito de se dizer nos púlpitos e agradável de se ouvir em louvores na prática raramente acontece; às vezes o cristão perde, outras vezes chora no canto escondido, essa é a nossa realidade.
            É a inversão de valores e a falta da correta interpretação dos versos bíblicos que têm gerado uma safra de cristãos rasos. E quando assumimos o fracasso, nos vestimos de saco de pano e nos assentamos nas cinzas logo aparece alguém para nos perguntar: “Onde está teu Deus?”. É uma mensagem clara em nosso meio: se estamos sorrindo Deus está conosco; se choramos em meio ao sofrimento estamos em pecado ou, no mínimo, não temos fé.
            Nos tempos do Velho Testamento, esse tipo de provocação poderia ser comum, pois o povo de Deus vivia entre nações politeístas e idólatras. Daí, quando o povo de Deus era afrontado ou se sofria alguma derrota logo poderia se ouvir a zombaria das nações vizinhas: “Onde está o teu Deus?”. Foi meditando em alguns salmos que percebi que, por diversas razões, alguns homens foram questionados sobre o silêncio de Deus. Pelo menos três salmos apresentam esse quadro: Salmo 42, 79 e 115. Salmos diferentes, escrito por pessoas diferentes, porém a mesma situação: Por que o sofrimento, se você crê num Deus todo poderoso?
            Como descrito acima, essa nova concepção de que o sofrimento deve morar do outro lado da rua, mas nunca habitar em nossa casa, foi uma ideia trazida pelo neopentecostalismo. Se procurarmos por mensagens e sermões na internet, invariavelmente vamos nos deparar com “receitas” de como conquistar o impossível, como ser feliz ou como ser um vencedor. Isso sem falar nas músicas que, nem de perto, lembram os louvores de antigamente. Penso que é raro não encontrar uma música, dita cristã, que não contenha as palavras “sucesso”, “vitória”, “vencedor”, ou qualquer uma de suas variáveis. Mas, o que pode parecer inofensivo, na verdade torna-se nocivo a partir do momento em que consideramos que o sofrimento é mal, e que só somos verdadeiramente servos e filhos de Deus se estivermos bem empregados, saudáveis, felizes e financeiramente abastados.
            Entretanto, esse é um ensinamento anti-bíblico, pois é durante os tormentos e tribulações que temos nossa fé provada, como ouro no fogo (I Pe 1:7). Quando passamos pelas misérias da vida, nossa fé é questionada e precisamos estar sempre aptos para responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da esperança que há em nós (I Pe 3:15). Como todos os nossos modelos de comportamento e fé partem dos exemplos citados nas escrituras, vale aqui trazer ao texto dois exemplos particulares e comuns: a história de Ana e Isabel. Ambas mulheres tementes a Deus; ambas foram humilhadas por causa da sua situação: eram estéreis.
            Em nossos dias, essas duas mulheres, que choravam pela sua situação, certamente seriam aconselhadas a realizar campanhas de vitórias e profetizar a cura e o milagre; também poderiam ser orientadas a realizar a confissão positiva, afinal há poder em nossas palavras e o que ligarmos na terra será ligado no céu. É debaixo dessa teologia rasa e sem fundamento que muitos vivem, e por falta de conhecimento bíblico muitos andam numa verdadeira peregrinação em busca do alívio para seus sofrimentos.
            Ana e Isabel, no entanto sabiam o que fazer. Ambas desejavam um milagre, ambas sofriam a afronta e zombaria por estarem nas últimas posições na fila da bênção; vejam a situação de Ana:
E a sua rival excessivamente a provocava, para a irritar; porque o Senhor lhe tinha cerrado a madre. Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente. E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o Senhor .... (e disse) tenho derramado a minha alma perante o Senhor.” (I Sm 1:6,7,9). A história já é conhecida de muitos; Penina, segunda esposa de Elcana, zombava de Ana, pois era mãe enquanto Ana era estéril. Ana, no entanto, optou pela melhor posição: a oração. Como lemos, ela orou e se acompanharmos a história veremos que Deus concedeu a ela não apenas um filho (Samuel), mas outros 5 (I Sm 2:21). Deus foi glorificado na vida de Ana, e isso através de sua vida piedosa e em oração; não houve invencionismos para se alcançar a vitória; na prática vemos a história de uma mulher entregue à oração e à obediência. Passemos agora à história de nossa irmã Isabel:
“E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso; (e) disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. (E disse Isabel) Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens.” (Lc 1:11,13,25)
Que providência divina! O que mais me chamou a atenção nesse texto foi o uso da palavra “opróbrio”. A definição dessa palavra, segundo o dicionário Michaelis¹ é “extrema abjeção; maior desonra; ignomínia; afronta, vergonha, infâmia, injúria.” Deus tirou, aniquilou, destruiu a vergonha e a desonra de Isabel, dando-lhe um filho. Aleuia.
Irmãos, lembremos das palavras de Paulo a Timóteo, em sua segunda carta, quando ele disse: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Tm 3:12). Deus não promete, nem nunca prometeu uma vida de facilidades e de contínua exaltação; o próprio Senhor disse que no mundo teríamos aflições, e nos exortou a termos bom ânimo. É óbvio que, em todas as nossas necessidades, Deus tem o poder de nos socorrer, mas se estamos passando por severas tribulações não podemos desfalecer, pois o verdadeiro cristão entende que “essa leve e momentânea tribulação produz em nós um peso de glória mui excelente” (II Co 4:17). Se verdadeiramente você nasceu de novo, se deveras é um filho de Deus, em suas tribulações e aflições, quando for afrontado e humilhado, não tenha vergonha de vestir de saco e se humilhar perante o Senhor; e se mesmo assim vierem te afrontar lhe perguntando: Onde está o teu Deus? Faça como o salmista e proclame em alta voz:
“O meu Deus está nos céus, e faz tudo como ele quer” (Sl 115:3).
Somos filhos de Deus, e se somos afligidos e açoitados, como filhos somos, e tudo o que acontece em nossa vida tem um propósito; Deus sempre faz tudo como Ele quer; para Sua glória! Retenhamos firme a promessa e o cuidado do Senhor.

Que o Deus de paz nos ajude.


1. http://michaelis.uol.com.br

sábado, 28 de julho de 2012

Cumpra seu ministério


Por Alexandre Nobre

Foi talvez em um culto avivado e diante de um apelo emocionante, que levantamos nossas mãos para receber o perdão e a graça de Deus através da pessoa de Jesus Cristo. Desde esse dia temos aprendido com o Senhor que a vida cristã caminha na contramão da vida secular e que não há como brilhar nesse mundo se dele não nos separarmos.
Mas, por que em nossos dias vemos não poucos cristãos com uma luz pálida e com sua aparência tão semelhante àquela a qual o Senhor nos ordenou que nos despojássemos? (Ef 4:22).
A resposta a essa pergunta está em uma única palavra: Conformismo. E é esse conformismo que muitas vezes nos faz assentar à beira do caminho e, a partir daí, passamos a olhar aqueles que passam tão rapidamente; e vendo-os dizemos: “Outrora fui rápido assim”.  Com tantas obrigações seculares, seja no trabalho, no estudo ou em nossas casas, vivemos numa luta constante contra os ponteiros do relógio, os quais parecem “caminhar” mais rápido do que nossa necessidade. Não controlamos o tempo, mas somos controlados por ele, e assim, negligenciando uns minutinhos de oração aqui, um tempo de leitura da bíblia ali, vamos parando.
Se “parados” não descreve a muitos, “desatentos”, no entanto, cai como uma luva. Esquecemos da obra a fazer, da seara a ser colhida, do arado em que colocamos nossas mãos. E dentro das Escrituras Sagradas encontramos um homem que também se esqueceu, que também se assentou à beira do caminho, e como muitos, também se conformou.
Arquipo era seu nome. Um homem da casa de Filemom que recebeu do apóstolo Paulo uma mensagem especial, direta e concisa. Na carta que Paulo escreveu aos colossenses, já quase no momento de deixar de lado sua caneta, Paulo escreveu: “Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras.” (Cl 4:17). O que essa mensagem tão direta nos apresenta? O que houve com Arquipo para que Paulo precisasse admoestá-lo publicamente? A Bíblia não nos apresenta detalhes. Mas, Paulo, vendo a apatia e conformismo de Arquipo, não quis lhe deixar dessa forma. A igreja em Colossos apresentava muitos problemas e Paulo advertiu a todos em sua carta. Mas mesmo assim, Arquipo não podia ser esquecido. Não por Paulo, que tanto batalhava pela obra e que sabia da necessidade da igreja e da utilidade de Arquipo na obra.
E assim foi a mensagem; direta e sem meias-palavras. Paulo descreveu Arquipo como “companheiro” em sua carta a Filemom (Fl 1:2), e resolveu persuadí-lo de sua situação. Era como se Paulo dissesse: “Arquipo meu amigo, se levanta desse banco e veja quanta obra para ser feita.” Então a mensagem foi entregue. Não sabemos com detalhes sobre o ministério na vida de Arquipo, porém sabemos que aquilo que era pra ser dito, assim o foi.
E o Senhor traz essa mensagem a todos os seus servos. Não importa se jovem ou idoso; se novo convertido ou com anos de caminhada na vida cristã; o que a Palavra de Deus nos afirma é que em muitos lugares há aqueles que se esqueceram do alvo. Foi também Paulo que, escrevendo aos filipenses, lhes ensinou o que devemos esquecer e também em que nos atentar. Paulo disse: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Fl 3:14-15).
Essa lição de Paulo é muito valiosa. Não importa se alguns de nós estejamos como Arquipo, desatentos com o ministério o qual o Senhor nos confiou, não importa se pelos vales e desertos pensamos que chegamos ao fim e decidimos parar à sombra de alguma árvore e ali nos conformamos. O mais importante é que hoje o Senhor nos traz à memória que ainda existe um alvo, ainda existe uma obra a ser feita. Se temos que nos esquecer de algo, façamos como Paulo e esqueçamos das coisas que para traz ficaram e assim, avancemos para as que estão hoje, agora, diante de nós pois “a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fl 3:20).
Lembrem-se, não importa onde paramos, em que caminho nos assentamos, hoje o Senhor nos exorta a continuarmos, a voltarmos ao zelo anterior e cumprir o ministério que recebemos no Senhor e assim cumprir com alegria nossa carreira dando testemunho do evangelho da graça de Deus (At 20:24).

 Que o Deus de paz nos ajude!
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