sábado, 10 de novembro de 2012

As promessas da Palavra de Deus


Por Alexandre Nobre

            Ultimamente há, no meio evangélico, uma enxurrada de matéria-prima para consolar e exaltar o homem, seja por meio de livros, músicas ou pregações. Se analisarmos friamente o material evangélico produzido, veremos que há em todos eles um antropocentrismo que busca colocar o homem em uma situação confortável, a despeito de seus pecados e seu estado irregenerado.
            Mas falando de consolação, quando corre a notícia de que um “grande homem de Deus” está pregando, orando e curando, muitos se aglomeram em busca de algo que possa satisfazer seus desejos e consolar suas aflições. Mas até aí, o que parece ser inofensivo, pode se tornar um costume antibíblico, pois a busca por sinais, na maioria das vezes, tira o foco do verdadeiro alvo da nossa adoração: Jesus Cristo.
            O evangelho fast-food dos nossos dias apresenta uma resposta rápida aos problemas enfrentados; é uma caixinha de promessa onde se abraça aquilo que convém e se descarta o que não agrada. É lamentável ver que uma grande quantidade de cristãos evangélicos nunca leu as Escrituras em seu todo; e uma boa parte, quando a lê, faz de forma mecânica, sem um estudo sistemático daquilo que se lê. Falta, portanto, um olhar mais crítico sobre as palavras da Bíblia, porém não se entenda “crítico” como aquele que olha o texto de cima, procurando nele incoerências; deve-se ler a bíblia de forma crítica procurando extrair de seu texto aquilo que de mais profundo ela pode oferecer, indo além de seu contexto imediato, portanto lendo com os olhos de servo.
            John MacArthur traça um perfeito quadro dessa situação: “Os gurus do movimento de crescimento da igreja se preocupam com o que atrai a multidão, e não com aquilo que a Bíblia diz. Devido ao bem sucedido apelo à carne não redimida, os pregadores da prosperidade fazem do homem o mestre, como se Cristo fosse um tipo de gênio da lâmpada – obrigado a conceder saúde, prosperidade e felicidade aqueles que enviam dinheiro o suficiente.”¹
            E os frutos desse antropocentrismo gospel em torno, como foi descrito, de músicas pregações, livros e do evangelho “fast-food” geram cristãos débeis, vazios da consolação das Escrituras e por muitas vezes, falta-nos coragem em denunciar essa busca por cisternas rotas, que não retém água (Jr 2:13). Essa analogia é perfeita, pois a consolação que muitos têm buscado através de homens, por um momento pode funcionar, mas por não reter a verdadeira água (Jo 4:14) tal cristão voltará a ter sede, e isso culminará em um ciclo sem fim, pois “(...) Eles diluem o evangelho, encurtam ainda mais seus ralos sermões e adaptam uma estratégia de marketing para seu ministério. Ao fazerem isso, rebelam-se contra Cristo.”¹
            Somente Jesus Cristo, através das Escrituras, pode nos consolar. Não são as lágrimas geradas por músicas que mais glorificam ao homem do que a Deus; nem tão pouco mensagens e revelações criadas a partir de emocionalismo que trarão consolo aos nossos corações, mas a verdadeira Palavra de Deus.
            O livro “Graça abundante ao principal dos pecadores”, de John Bunyan, apresenta um interessante exemplo de como a Palavra vida de Deus pode favorecer o abatido:
“De fato, quando me assusto, ainda que com nada além de minha sombra, Deus, sendo muito terno para comigo, não permite que eu seja maltratado, mas me fortalece com um ou outro versículo, contra tudo, em tal extensão, que tenho sempre dito que poderia orar, se fosse lícito, pedindo-Lhe uma aflição maior, para receber maior consolação.”²
            Não foram poucas as vezes em que Bunyan foi assolado por temores e lutas quando esteve preso por 12 anos. Não foram “profetas” determinando sua vitória, nem muito menos profetizando a exaltação sobre sua vida que o consolou, mas a Palavra o consolava contra tudo.
            Se o Espírito Santo, segundo a promessa de Cristo, nos faria lembrar de tudo quanto ouvimos do mestre (Jo 14:26), torna-se impossível lembrarmos de algo que não conhecemos por negligência no estudo sistemático das Escrituras.
            Definitivamente não há atalhos para a comunhão com Deus, senão uma vida de oração intensa e meditação nas Escrituras. A consolação que temos nela é garantida através dela, vejamos:

“Isto é a minha consolação na minha aflição, porque a tua palavra me vivificou”. (Sl119:50);
 “Sirva pois a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra que deste ao teu servo”. (Sl 119:76);
“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.” (Rm 15:4)

            Por isso que vimos, é sempre necessário voltarmos nossos olhos para a Palavra, pois em todas as aflições somos consolados por ela, pois conhecemos a benignidade de Deus e por ela temos esperança. Consolemos uns aos outros, na medida que somos consolados, com essas Palavras.

Que o Deus de paz nos ajude!

¹ MACARTHUR John. Escravos. Editora Fiel
² BUNYAN, John. Graça abundante ao principal dos pecadores. Editora Fiel

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A fragilidade do homem

Por Alexandre Nobre


          Esses dias tive a oportunidade de assistir novamente um filme de 1998 chamado “Impacto Profundo”. Nesse filme, um astrônomo mirim descobre que um cometa de 11 km está em rota de colisão com a Terra. O filme retrata duas tentativas de interferir na órbita do cometa, na primeira a tentativa de instalar ogivas nucleares no interior do cometa; na segunda, mísseis russos foram disparados em direção ao cometa, porém, ambas tentativas sem sucesso. No final, o grupo de astronautas destacados para a missão toma uma atitude radical: com algumas ogivas nucleares na nave, eles resolvem combater o cometa com a própria nave, o que minimizou as conseqüências do impacto do cometa com a Terra.
            Independente da opinião sobre a possibilidade disso acontecer, uma coisa é certa: somos extremamente frágeis em nossa estrutura, seja em nossos corpos, seja em nosso planeta; estamos vulneráveis. Mas, e quanto à nossa alma? Que segurança temos? Se pensarmos friamente sobre isso, ao homem não sobra nenhuma esperança! Não estou sendo fatalista, mas desde que recebemos o pecado como herança o homem aprendeu a andar por um único caminho: o caminho que leva ao inferno.
            Se estamos debaixo dessa fragilidade, o que poderíamos fazer para alcançar a segurança? Sabemos pela Palavra; há apenas um caminho: a graça de Deus por intermédio de Seu filho Jesus Cristo.
            Mas o meditar nessa fragilidade deveria nos fazer agarrar à nossa fé mais do que tudo. Se em algum momento sentimo-nos capazes ou autossuficientes, devemos voltar nossos olhos às Escrituras e entender a nossa real situação. Veja as palavras do salmista quanto à situação:
“Faze-me conhecer, SENHOR, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil.” (Sl 39:4)
            O despertar dessa realidade só pode vir de Deus; o homem que vive sua vida longe da graça de Deus permanece no cume de seu orgulho e não percebe sua fragilidade; e o homem que vive sob a graça de Deus deve, por dever, pedir em orações, súplicas e lágrimas esse mesmo despertamento: “Mostra-me minha fragilidade, Senhor!”.
O famoso sermão pregado por Jonathan Edwards em 1741 (Pecadores nas mãos de um Deus irado) atravessa nossa soberba como uma espada afiada. Nele, Jonathan Edwards apresenta o verso 35 do capítulo 32 do livro de Deuteronômio: “... a seu tempo, quando resvalar o seu pé” como um alerta aos ímpios sobre quão perto estão do abismo que consumirá suas almas eternamente. É fortemente apresentado a ideia de como, a qualquer tempo, os ímpios podem ser consumidos pela vingança do Senhor: “Eu insistiria agora num exame maior das seguintes palavras: não há nada, a não ser a boa vontade de Deus, que impeça os ímpios de caírem no inferno a qualquer momento.”
Se pudermos fazer um paralelo com a situação do filme mencionado acima com o que acontece com o ímpio, veremos que é a mesma situação, ambos encontram-se em perigo, como escreveu Edwards. Ambos estão a um passo do abismo e não há nada neles mesmos que possam fazer para mudarem essa situação; se não for a graça de Deus, ambos estão sujeitos ao perigo e à destruição.
Davi apresentou a fragilidade do homem nos salmos de forma impactante. Se mergulharmos no salmo 39, veremos que a intenção de Davi, inspirado pelo Espírito Santo, é mostrar a efemeridade do homem. No verso 11 do capítulo 39 ele enfatiza isso: “Quando castigas o homem, com repreensões por causa da iniqüidade, fazes com que a sua beleza se consuma como a traça; assim todo homem é vaidade. (Sl 39:11). Todo homem é vaidade! Não apenas o ímpio, mas todos. Estamos o tempo todo debaixo de uma chuva de vaidades que procuram ocupar o lugar de Deus em nosso coração; em nosso tempo. Os programas de televisão, amigos, trabalho e até a nossa família pode nos privar do tempo com Deus, da comunhão através da oração.
Obviamente, aqueles que estão sob a graça de Deus e foram chamados à salvação sabem que devem atentar para essa situação e fugir das futilidades do mundo. Mas é sempre conveniente a exortação de que, se Satanás tem soprado em nossos ouvidos a rebeldia de forma camuflada, devemos lembrar de quão frágeis somos; de como a salvação é algo raro, único e devemos fazer firme nosso chamado, como Pedro escreveu em sua segunda carta: Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” (II Pe 1:10).
Sejamos firmes, constantes e fujamos de tudo aquilo que não tem aparência de mal, mas que em si traz a capacidade de sugar nosso tempo e nos envolver de tal forma que nos esqueçamos o quanto precisamos da comunhão íntima com Deus.
Esquadrinhemos nossa mente completamente pela Palavra, não descansaremos, nem tenhamos sossego até que nossa fragilidade seja claramente exposta e então, percebendo-a, correremos tão avidamente aos cuidados do Senhor, que dessa forma sim seremos fortalecidos por Aquele que tem todo o poder.  
Somos frágeis, não corramos o risco de nos afastar Daquele que é nossa força, nosso abrigo; se negligenciarmos o abrigo que o Senhor tem para nós através da comunhão, alegando que somos fracos e o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza, estamos sendo preguiçosos e heréticos, usando texto fora de contexto para apoiar nossa apatia ou provar nossa dislexia. Busquemos ao Senhor enquanto podemos achar, invoquemos enquanto Ele está perto.

Que o Deus de paz nos ajude.            

sábado, 4 de agosto de 2012

Onde está o teu Deus?


Por Alexandre Nobre

            Vivemos num tempo em que somos constantemente vigiados. É quase impossível ocorrer um fato importante e o mesmo passar despercebido pelos meios de comunicação. Com o avanço da tecnologia e a rapidez na transmissão de dados, estamos totalmente imersos em uma teia que conecta seus indivíduos; é a tal da globalização.
            E, em meio ao conhecimento compartilhado, uma outra característica surge nesse cenário: a competição; principalmente no meio profissional, mas não restringido a ele. Há, de forma geral, uma corrida por estar à frente; ser o melhor, ou pelo menos estar em uma posição mais agradável; e assim, os que não se encaixam nesse perfil, são considerados perdedores, fracos, tímidos demais para a nova fase da história humana.
            Com o advento das redes sociais, essa competição assume características de orgulho e necessidade de aprovação: não há perdedores no mundo virtual; nem fracos em quaisquer outras redes sociais. Ali é o universo onde todos parecem felizes e bem sucedidos.    Mas e por trás das cortinas? E quando os monitores são desligados e não há mais conexão? O que fazer quando nos pedem satisfação da nossa ausência no pódio e percebemos que estamos nos últimos lugares da fila?
            No meio cristão não é diferente. O neopentecostalismo trouxe a ideia de que “somos mais do que vencedores” e que “derrota não é coisa de cristão”. Mas o que parece bonito de se dizer nos púlpitos e agradável de se ouvir em louvores na prática raramente acontece; às vezes o cristão perde, outras vezes chora no canto escondido, essa é a nossa realidade.
            É a inversão de valores e a falta da correta interpretação dos versos bíblicos que têm gerado uma safra de cristãos rasos. E quando assumimos o fracasso, nos vestimos de saco de pano e nos assentamos nas cinzas logo aparece alguém para nos perguntar: “Onde está teu Deus?”. É uma mensagem clara em nosso meio: se estamos sorrindo Deus está conosco; se choramos em meio ao sofrimento estamos em pecado ou, no mínimo, não temos fé.
            Nos tempos do Velho Testamento, esse tipo de provocação poderia ser comum, pois o povo de Deus vivia entre nações politeístas e idólatras. Daí, quando o povo de Deus era afrontado ou se sofria alguma derrota logo poderia se ouvir a zombaria das nações vizinhas: “Onde está o teu Deus?”. Foi meditando em alguns salmos que percebi que, por diversas razões, alguns homens foram questionados sobre o silêncio de Deus. Pelo menos três salmos apresentam esse quadro: Salmo 42, 79 e 115. Salmos diferentes, escrito por pessoas diferentes, porém a mesma situação: Por que o sofrimento, se você crê num Deus todo poderoso?
            Como descrito acima, essa nova concepção de que o sofrimento deve morar do outro lado da rua, mas nunca habitar em nossa casa, foi uma ideia trazida pelo neopentecostalismo. Se procurarmos por mensagens e sermões na internet, invariavelmente vamos nos deparar com “receitas” de como conquistar o impossível, como ser feliz ou como ser um vencedor. Isso sem falar nas músicas que, nem de perto, lembram os louvores de antigamente. Penso que é raro não encontrar uma música, dita cristã, que não contenha as palavras “sucesso”, “vitória”, “vencedor”, ou qualquer uma de suas variáveis. Mas, o que pode parecer inofensivo, na verdade torna-se nocivo a partir do momento em que consideramos que o sofrimento é mal, e que só somos verdadeiramente servos e filhos de Deus se estivermos bem empregados, saudáveis, felizes e financeiramente abastados.
            Entretanto, esse é um ensinamento anti-bíblico, pois é durante os tormentos e tribulações que temos nossa fé provada, como ouro no fogo (I Pe 1:7). Quando passamos pelas misérias da vida, nossa fé é questionada e precisamos estar sempre aptos para responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da esperança que há em nós (I Pe 3:15). Como todos os nossos modelos de comportamento e fé partem dos exemplos citados nas escrituras, vale aqui trazer ao texto dois exemplos particulares e comuns: a história de Ana e Isabel. Ambas mulheres tementes a Deus; ambas foram humilhadas por causa da sua situação: eram estéreis.
            Em nossos dias, essas duas mulheres, que choravam pela sua situação, certamente seriam aconselhadas a realizar campanhas de vitórias e profetizar a cura e o milagre; também poderiam ser orientadas a realizar a confissão positiva, afinal há poder em nossas palavras e o que ligarmos na terra será ligado no céu. É debaixo dessa teologia rasa e sem fundamento que muitos vivem, e por falta de conhecimento bíblico muitos andam numa verdadeira peregrinação em busca do alívio para seus sofrimentos.
            Ana e Isabel, no entanto sabiam o que fazer. Ambas desejavam um milagre, ambas sofriam a afronta e zombaria por estarem nas últimas posições na fila da bênção; vejam a situação de Ana:
E a sua rival excessivamente a provocava, para a irritar; porque o Senhor lhe tinha cerrado a madre. Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente. E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o Senhor .... (e disse) tenho derramado a minha alma perante o Senhor.” (I Sm 1:6,7,9). A história já é conhecida de muitos; Penina, segunda esposa de Elcana, zombava de Ana, pois era mãe enquanto Ana era estéril. Ana, no entanto, optou pela melhor posição: a oração. Como lemos, ela orou e se acompanharmos a história veremos que Deus concedeu a ela não apenas um filho (Samuel), mas outros 5 (I Sm 2:21). Deus foi glorificado na vida de Ana, e isso através de sua vida piedosa e em oração; não houve invencionismos para se alcançar a vitória; na prática vemos a história de uma mulher entregue à oração e à obediência. Passemos agora à história de nossa irmã Isabel:
“E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso; (e) disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. (E disse Isabel) Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens.” (Lc 1:11,13,25)
Que providência divina! O que mais me chamou a atenção nesse texto foi o uso da palavra “opróbrio”. A definição dessa palavra, segundo o dicionário Michaelis¹ é “extrema abjeção; maior desonra; ignomínia; afronta, vergonha, infâmia, injúria.” Deus tirou, aniquilou, destruiu a vergonha e a desonra de Isabel, dando-lhe um filho. Aleuia.
Irmãos, lembremos das palavras de Paulo a Timóteo, em sua segunda carta, quando ele disse: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Tm 3:12). Deus não promete, nem nunca prometeu uma vida de facilidades e de contínua exaltação; o próprio Senhor disse que no mundo teríamos aflições, e nos exortou a termos bom ânimo. É óbvio que, em todas as nossas necessidades, Deus tem o poder de nos socorrer, mas se estamos passando por severas tribulações não podemos desfalecer, pois o verdadeiro cristão entende que “essa leve e momentânea tribulação produz em nós um peso de glória mui excelente” (II Co 4:17). Se verdadeiramente você nasceu de novo, se deveras é um filho de Deus, em suas tribulações e aflições, quando for afrontado e humilhado, não tenha vergonha de vestir de saco e se humilhar perante o Senhor; e se mesmo assim vierem te afrontar lhe perguntando: Onde está o teu Deus? Faça como o salmista e proclame em alta voz:
“O meu Deus está nos céus, e faz tudo como ele quer” (Sl 115:3).
Somos filhos de Deus, e se somos afligidos e açoitados, como filhos somos, e tudo o que acontece em nossa vida tem um propósito; Deus sempre faz tudo como Ele quer; para Sua glória! Retenhamos firme a promessa e o cuidado do Senhor.

Que o Deus de paz nos ajude.


1. http://michaelis.uol.com.br

sábado, 28 de julho de 2012

Cumpra seu ministério


Por Alexandre Nobre

Foi talvez em um culto avivado e diante de um apelo emocionante, que levantamos nossas mãos para receber o perdão e a graça de Deus através da pessoa de Jesus Cristo. Desde esse dia temos aprendido com o Senhor que a vida cristã caminha na contramão da vida secular e que não há como brilhar nesse mundo se dele não nos separarmos.
Mas, por que em nossos dias vemos não poucos cristãos com uma luz pálida e com sua aparência tão semelhante àquela a qual o Senhor nos ordenou que nos despojássemos? (Ef 4:22).
A resposta a essa pergunta está em uma única palavra: Conformismo. E é esse conformismo que muitas vezes nos faz assentar à beira do caminho e, a partir daí, passamos a olhar aqueles que passam tão rapidamente; e vendo-os dizemos: “Outrora fui rápido assim”.  Com tantas obrigações seculares, seja no trabalho, no estudo ou em nossas casas, vivemos numa luta constante contra os ponteiros do relógio, os quais parecem “caminhar” mais rápido do que nossa necessidade. Não controlamos o tempo, mas somos controlados por ele, e assim, negligenciando uns minutinhos de oração aqui, um tempo de leitura da bíblia ali, vamos parando.
Se “parados” não descreve a muitos, “desatentos”, no entanto, cai como uma luva. Esquecemos da obra a fazer, da seara a ser colhida, do arado em que colocamos nossas mãos. E dentro das Escrituras Sagradas encontramos um homem que também se esqueceu, que também se assentou à beira do caminho, e como muitos, também se conformou.
Arquipo era seu nome. Um homem da casa de Filemom que recebeu do apóstolo Paulo uma mensagem especial, direta e concisa. Na carta que Paulo escreveu aos colossenses, já quase no momento de deixar de lado sua caneta, Paulo escreveu: “Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras.” (Cl 4:17). O que essa mensagem tão direta nos apresenta? O que houve com Arquipo para que Paulo precisasse admoestá-lo publicamente? A Bíblia não nos apresenta detalhes. Mas, Paulo, vendo a apatia e conformismo de Arquipo, não quis lhe deixar dessa forma. A igreja em Colossos apresentava muitos problemas e Paulo advertiu a todos em sua carta. Mas mesmo assim, Arquipo não podia ser esquecido. Não por Paulo, que tanto batalhava pela obra e que sabia da necessidade da igreja e da utilidade de Arquipo na obra.
E assim foi a mensagem; direta e sem meias-palavras. Paulo descreveu Arquipo como “companheiro” em sua carta a Filemom (Fl 1:2), e resolveu persuadí-lo de sua situação. Era como se Paulo dissesse: “Arquipo meu amigo, se levanta desse banco e veja quanta obra para ser feita.” Então a mensagem foi entregue. Não sabemos com detalhes sobre o ministério na vida de Arquipo, porém sabemos que aquilo que era pra ser dito, assim o foi.
E o Senhor traz essa mensagem a todos os seus servos. Não importa se jovem ou idoso; se novo convertido ou com anos de caminhada na vida cristã; o que a Palavra de Deus nos afirma é que em muitos lugares há aqueles que se esqueceram do alvo. Foi também Paulo que, escrevendo aos filipenses, lhes ensinou o que devemos esquecer e também em que nos atentar. Paulo disse: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Fl 3:14-15).
Essa lição de Paulo é muito valiosa. Não importa se alguns de nós estejamos como Arquipo, desatentos com o ministério o qual o Senhor nos confiou, não importa se pelos vales e desertos pensamos que chegamos ao fim e decidimos parar à sombra de alguma árvore e ali nos conformamos. O mais importante é que hoje o Senhor nos traz à memória que ainda existe um alvo, ainda existe uma obra a ser feita. Se temos que nos esquecer de algo, façamos como Paulo e esqueçamos das coisas que para traz ficaram e assim, avancemos para as que estão hoje, agora, diante de nós pois “a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fl 3:20).
Lembrem-se, não importa onde paramos, em que caminho nos assentamos, hoje o Senhor nos exorta a continuarmos, a voltarmos ao zelo anterior e cumprir o ministério que recebemos no Senhor e assim cumprir com alegria nossa carreira dando testemunho do evangelho da graça de Deus (At 20:24).

 Que o Deus de paz nos ajude!

sábado, 21 de julho de 2012

E quando todos esquecem?


Por Alexandre Nobre

            Uma das experiências mais difíceis na vida cristã é quando passamos por alguma dificuldade e, de uma hora para outra, parece que não há ninguém quem nos possa ajudar. É difícil sim ... e dói ... como dói! Mas esse tipo de experiência, invariavelmente, todos os cristãos passam; aliás me atrevo a dizer que esse “deserto” em meio à dificuldade é algo que todos os seres humanos experimentam, sejam cristãos ou não.
            Mas, falando do deserto na vida cristã, posso dizer, eu já passei por ele, você provavelmente também, mas por mais que essa experiência seja um tanto comum, a maneira de lidar com essa situação é muito particular, ou seja, cada um de nós reagirá de forma pontual diante dos desertos da vida espiritual.
            Claro que esse post não tem a intenção de ser o manual da vida cristã no deserto; definitivamente não! Porém, algumas experiências vividas e o desabafo de uma irmã em Cristo me impeliram a escrever de forma objetiva como podemos enfrentar esse sofrimento; claro que tudo isso seria nada, se o que você vai ler a partir de agora não estivesse pautada nas Escrituras Sagradas.
            Como descrevi, foi o desabafo de uma irmã que me fez relembrar meus desertos, de como eles me fizeram chorar e de como me ensinaram. Nessa conversa, a irmã me disse a seguinte frase: “(...) me senti assim sem rumo olhando para um lado pro outro e não via ninguém nada pra onde eu pudesse correr”. A conversa se estendeu por vários minutos, quase uma hora, e biblicamente tentei apresentar forças à minha irmã; forças essas que, obviamente não vêm de mim, mas da Palavra de Deus e do Espírito Santo.
            Essa irmã resolveu não me contar o real motivo desse sofrimento. Mas enquanto ela desabafava, minha mente montava a cena, quadro a quadro, cada palavra que ela me falava me fazia imaginar seu sofrimento. E, após ouvi-la atentamente, resolvi expor minha opinião e de alguma forma ajuda-la a enfrentar essa situação.
            Claro que minhas palavras não salvaram minha amiga do seu sofrimento, mas sabemos que toda a palavra de Deus é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, redargüir, e instruir em justiça (II Tm 3:16) e o Senhor foi glorificado em Sua Palavra.
            Essa situação me fez pensar muito sobre o deserto da vida cristã. Por que acontece? Por que Deus permite? Por que parece que Deus nos esqueceu? Como em tudo e em todas as coisas, a Palavra de Deus tem as respostas, vejamos:

No deserto, conhecemos a nós mesmos

            É justamente nos piores momentos da vida que revelamos nossa verdadeira natureza. Quando somos perseguidos, destratados, deixados de lado, esquecidos; nesses momentos o que era prioridade fica em segundo plano; aquilo que não vivíamos sem, nessas horas são esquecidas em algum canto da casa; dessa forma, invertemos padrões e mudamos conceitos. É muito comum nos surpreendermos conosco quando passamos por grandes dificuldades. A raiva escondida vem à tona; o orgulho velado se eleva e se apresenta; o medo oculto se revela; e não adianta mais máscaras: somos nós sim; patentes e nus diante de Deus e de nós mesmos. E é justamente aí que precisamos fazer uma auto avaliação. Quem somos? O que nos levou a agir dessa forma? Esse momento também é importante para analisarmos nossa fé em Deus, afinal se estamos desesperados, pode ser que não estejamos tão inabaláveis assim. É preciso pensar a respeito.

No deserto, nosso caráter é provado e aperfeiçoado

            Uma famosa frase do filosofo grego Epicuro (341-270) diz que “Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades”. Espiritualmente, é no deserto que podemos ser aperfeiçoados em Deus, pois toda nossa independência é colocada à prova e, muitas vezes por estarmos cansados de lutar contra as provações, nos rendemos sem reservas aos cuidados de Deus. É aí que começa a prática do salmo de número 40, onde não temos mais opções, a não ser esperarmos com paciência no Senhor, confiando em Seu cuidado e correção.

 No deserto, Deus nos trata de forma especial

            É impossível não se emocionar quando lembramos dos cuidados do Senhor sobre nossas vidas quando passamos pelo “vale”. Nos momentos em que parece que estamos distantes de Deus, na verdade, por Ele estamos sendo provados e aperfeiçoados. O profeta Oséias, em seu livro, traz uma interessante palavra de qual é nossa situação quando estamos no deserto. No capítulo 13, verso 5, ele diz: “Eu te conheci no deserto, na terra muito seca”. O contexto da mensagem diz respeito a como Deus tratou com seu povo, tirando-o do Egito, atravessou o deserto e como Israel se entregou à idolatria. Deus conhecia o futuro de Israel, porém em Sua longanimidade Ele se voltou ao Seu povo, e dele teve misericórdia. O período do deserto de Israel foi de aprendizado, pois suas ações ficaram registradas na memória do povo, de geração à geração, provando a misericórdia do Senhor. Deus tratou Seu povo de forma especial e única; assim, quando, em comparação, passamos pelos nossos desertos na vida espiritual, Ele nos trata de forma especial também.

Então ...

            Não nos esqueçamos que, mesmo em meio ao silêncio de Deus; à Sua provação e repreensão, Ele sempre olha pelos Seus filhos. Veja o que diz Isaias no capítulo 49, verso 15: Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.” Aleluia!! Que maravilhosa promessa!! Se você está passando pelo deserto espiritual, ou ainda venha a passar, em tudo ofereça a Deus sua adoração. Que suas lágrimas, seus gemidos e até sua tristeza sejam para a glória Dele, pois essa leve e momentânea tribulação produzirá em você um peso de glória mui excelente (II Co 4:17).
            Se quando passares pelas provas do deserto espiritual, e, assim como minha amiga, procurar ajuda nas pessoas e não encontrar, não desanime. Uma conhecida música evangélica diz assim: “Se tanta gente tentou te ajudar mas não deu, não julgues, porque é de Deus; tem coisas que só Jesus faz”. É bem verdade ... Deus pode permitir que passemos pelos desertos e que todos à nossa volta nos abandonem para que provemos da fidelidade do Senhor, assim como Seu povo Israel no deserto; assim teremos mais confiança e comunhão com nosso Deus, e assim como Jó, poderemos dizer: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.”

 Que o Deus de paz nos ajude!

sábado, 14 de julho de 2012

Às vezes nem eu entendo


Por Alexandre Nobre

            É espantosa a capacidade que temos de prometer coisas que não podemos cumprir; mais espantosa ainda é a nossa capacidade de nos esquecer daquilo que prometemos, e sem nenhuma hesitação quebramos promessas; viramos pro lado e saímos como se nada tivéssemos prometido.
            Não me sinto bem em escrever na terceira pessoa, na verdade, em primeira seria o ideal... eu sou assim, na nudez da maldade do meu coração. Não posso negar que não há nada de bom na minha carne, porém, biblicamente, percebemos que esse é um padrão do ser humano: esquecemos facilmente das promessas que fizemos.
            O que pode haver de mais infiel do que o coração do homem? Jonathan Edwards (1703-1758), pastor e teólogo americano, disse certa vez: “Quando olho para dentro de meu coração e observo minha iniquidade, ele parece um abismo infinitamente mais fundo do que o próprio inferno." Sim meu amigo, essa é nossa realidade, não somos melhores que isso, afinal enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jr 17:9).
            Claro que, de modo geral, procuramos ser fiéis em tudo aquilo que prometemos, mas se em algum momento pisamos na bola, corremos para II Timóteo 2:13 e declaramos em alto e bom som que ainda que sejamos infiéis, Ele permanece fiel. Mas não consideramos que, na verdade, Deus é Fiel à Sua Palavra, e não à nossa infidelidade.
            Confessar a infidelidade não é fácil; afinal o que vão pensar de nós? Eu, infiel? Claro que não. Mas esse post não traz a pretensão de ser o plácido exemplo da moralidade; isso seria fácil demais. Difícil é exteriorizar o que está bem escondidinho embaixo do tapete; tenho falhado em minhas promessas.
            Mas também não quero deixar que minhas palavras pareçam uma faísca de arrependimento por algo pontual; não! A infidelidade muitas vezes ronda minha casa, meu templo, minhas palavras. Quando diante de Deus faço uma promessa, penso logo nas implicações que essa promessa traz (Ec 5:4). Não posso ser tolo ao ponto de achar que será mais uma não cumprida. Por isso penso e repenso, reflito sobre o que quero e, se sei que não posso suportar, em vez de prometer, peço ... mas peço misericórdia!
            A misericórdia de Deus ... o que seria de mim sem ela. Entendo em mim as palavras de Paulo em Romanos 7:24. Sim, sou miserável; e sei que apenas Deus pode me livrar do corpo desta morte. Por isso, se tem algo que preciso não são votos de fidelidade a Deus, mas de misericórdia de Deus; de longanimidade de Deus; pois muitas vezes eu mesmo não tenho paciência comigo.


            Eu quero ser fiel, muitos cristãos querem ser fiéis; mas em mim vejo uma ferrenha batalha pra que o mal que eu não quero, eu não faça, e o bem que quero fazer eu faça.     Mas eu confesso, em mim não há forças nem fidelidade alguma, e quando penso que o Criador me olha com amor, através de Jesus, meus joelhos se dobram e choro ... tento esquadrinhar o amor de Deus e o porquê sou alvo dele, mas às vezes nem eu entendo.

Que o Deus de paz nos ajude.

sábado, 7 de julho de 2012

Por que sou credobatista?



Por Clóvis

 "Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração" At 8:36-37

Antes de mais nada, o que é um credobatista? É uma pessoa que crê que o batismo deve se realizado apenas em pessoas crentes, em termos práticos, que fizeram confissão de fé. Difere do batismo de adulto por não estabelecer uma idade mínima para realização do batismo e do pedobatismo por entender que uma criança não exerce fé pessoal, que é um pré-requisito para o batismo. As razões que me fazem um credobatista são bíblicas, teológicas e históricas.



Argumentos bíblicos
1. As prescrições do batismo

A Bíblia traz várias orientações sobre o batismo, as quais acabam por requerer que o candidato ao mesmo tenha primeiramente crido. Na Grande Comissão Jesus garantiu que "quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc 16:16). A ênfase recai sobre o ato de crer, sendo o batismo conseqüência natural. Tanto que na oração seguinte, sequer se fala do batismo, que é irrelevante se alguém não tem fé. Na inauguração da igreja Pedro instou com o povo dizendo "arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo" (At 2:38). Vemos em seguida que "foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra" (At 2:41). Crer, arrepender-se e receber de bom grado a Palavra são coisas que antecedem o batismo.
Na repreensão de João Batista vemos o mesmo princípio. Ele diz "à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Lc 3:7-8). O precursor de Jesus exigia conversão de todos quantos quisessem descer às águas do batismo. O batismo cristão segue o mesmo princípio. Quando o eunuco perguntou o "que impede que eu seja batizado?" Filipe respondeu "É lícito, se crês de todo o coração" e somente quando o eunuco confessou "creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus" é que "desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou" (At 8:36-38). Portanto, o crer em Cristo é condição sine qua non para o batismo.

2. Os exemplos bíblicos
Os exemplos de batismos registrados na Bíblia corroboram o credobatismo. Os que eram batizados por João Batista o eram "confessando os seus pecados" (Mt 3:6; Mc 1:5) e "justificaram a Deus" (Lc 7:29). Atos registra que "como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres" (At 8:12). Continua o historiador dizendo que "creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe" (At 8:13) e que "os coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados" (At 18:8). Não há um só registro positivo de batismo de não crentes sendo batizados.

Argumentos teológicos
1. O significado do batismo

O batismo é o primeiro das duas ordenança de Cristo à Igreja. O significado teológico do batismo varia conforme a tradição evangélica. Para os credobatistas, o batismo é principalmente um sinal e um testemunho externo da obra de Deus realizada na regeneração. Como a Ceia do Senhor representa a obra de Cristo na cruz, o batismo representa a obra do Espírito Santo no coração do crente. Temos então que o batismo é um símbolo exterior que representa uma realidade interior, sendo a fé o vínculo entre o símbolo e a coisa significada. Sem fé, o batismo não é um sacramento. Não é de se estranhar, portanto, que todos os batismos registrados na Bíblia sejam de crentes.

2. Depoimentos teólogos
Mesmo autores não credobatistas tem que reconhecer que o batismo de não crentes, especialmente o de recém-nascidos, não tem amparo bíblico direto. Creio que pela palavra de três pedobatistas. O Dr. A. Plummer (Igreja da Inglaterra) diz que "dos que recebem o batismo cristão é requerido que se arrependam e creiam" (Dictionary of the Bible). M. W. Jacobus (Congregacional) reconhece que "nós não temos nenhum registro no Novo Testamento do batismo de infantes" (Standard Bible Dictionary). E o presbiteriano Scott McKnight afirma que "o Novo Testamento não contém referência explícita ao batismo de infantes ou de criancinhas" (Dictionary of de the Bible).

Argumentos históricos
1. O Didaquê

O Didaquê ou Ensinamento dos Doze Apóstolos, escrito entre os anos 145-150 dC, traz a seguinte orientação: "Quanto ao batismo, batize assim: tendo primeiro ensinado todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (VII, 1). A expressão "tendo primeiro ensinado" deixa claro que o batismo é precedido de ensinamento. A prescrição seguinte também pressupõe pessoas crentes sendo doutrinadas "antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias" (VII, 4). Portanto, no segundo século, o costume da igreja era batizar crentes professantes.

2. Pais da Igreja

O Dictionary of Christianity in America diz que algum tempo depois do segundo século é que o batismo de infantes foi introduzido na igreja, mas que a prática do batismo de crentes continuou como de uso geral até a Idade Média. Não ignoro as referências de Orígenes (185-253), Tertuliano (160-240), Ireneu (125-190) e Justino Mártir (c. 138) ao batismo infantil. Mas elas estão invariavelmente ligadas ao erro da regeração batismal ou são incertas. Orígenes diz que crianças são batizadas para perdão dos pecados. Tertuliano reprovava o batismo infantil, por considerar que o batismo lava os pecados passados, então aconselhava postergar o ato. Ireneu até mesmo usa o termo regeneração como significando batismo. E Justino diz que "muitas pessoas, de ambos os sexos, algumas com seis ou sete anos de idade, foram feitas discípulos de Cristo desde sua infância". Porém não há referência ao batismo aqui e a expressão "foram feitas discípulos" parece apontar para a conversão e o ensino.

Conclusão
O fato é que a Bíblia exige fé e arrependimento de quem se apresenta para o batismo e não registra nenhum caso de não crente ou infante sendo batizado. A história revela que a prática do batismo infantil não remonta aos apóstolos e que se iniciou com uma visão distorcida de seu significado teológico. Por estas razões, sou credobatista. E por outras não sou pedobatista. Mas isto é assunto para outro artigo.

Fonte: Beréia

terça-feira, 26 de junho de 2012

A tristeza que alegra Deus

Por Maurício Zágari


“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado“? (Sl 51.1,2)

Li recentemente em um blog a reprodução de um velho texto de um antigo líder religioso cristão. O artigo atesta, em resumo, que “o sentimento de culpa do pecador se opõe à graça de Deus”. Que seriam conceitos excludentes, opostos. Li o referido texto, de 2003, e cheguei a uma conclusão: esse argumento está errado. Bem errado, na verdade. Segundo o artigo, “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós…como ‘pecados próprios’“. O autor propõe uma graça que desmaterializa a culpa previamente. Já eu entendo que a graça vem em sequência à culpa, como a borracha que apaga o erro. Em suma: entendo biblicamente que a graça de Deus não exclui a culpa do pecador, mas vem como o bálsamo que irá curar as dores dessa culpa e transformá-la em vida e paz.

Acredito que o pastor que escreveu o texto o fez com a melhor das boas intenções. O artigo foi escrito na tentativa de aliviar do coração dos pecadores o peso da culpa de pecados cometidos. Seria uma atitude amável e louvável, se não usasse de um argumento antibíblico. O conceito de culpa é tão execrado pelas pessoas por uma razão bem clara: ele se contrapõe frontalmente ao desejo de ser feliz. Pois culpa gera tristeza. E tristeza é o contrário de felicidade.

E a verdade é que vivemos na era do pseudoevangelho da felicidade, que afirma que o cristão tem que viver “feliz da vida”. Logo, a ideia de que o cristão sentir culpa pode ser algo benéfico como resultado da ação graciosa de Deus (e não em oposição à graça) é ofensiva ao cristão do século 21. Pois eu e você queremos seguir Jesus para sermos felizes, para fugir da tristeza, para nos livrarmos de toda a culpa e assim alcançar o máximo de felicidade que a vida com Cristo poderia nos proporcionar.

Só que há um porém. Se deixarmos de lado a poesia que existe no discurso da “graça anticulpa” e formos olhar para onde realmente importa, a Bíblia, veremos que a proposta de Cristo é que, se a tristeza for necessária, que venha! Jesus jamais, em nenhum lugar de todos os quatro Evangelhos, propõe fora do porvir uma vida de felicidade livre de culpa e de tristeza.

Culpa que funciona como canal da graça

Como funciona então – biblicamente – essa relação entre culpa e graça? A sequência é até bastante lógica:
1. O cristão peca.

2. O Espírito Santo o convence do pecado, da justiça e do juízo.

3. Esse convencimento faz brotar no coração do pecador, adivinhe você, culpa.

4. A percepção dessa culpa o leva ao arrependimento mediante a ação graciosa do Espírito Santo.

5. A confissão do pecado, motivada pela dor da culpa, aciona a ação intercessória de Cristo junto ao Pai e o pecado é lançado no mar do esquecimento.

Porém, pela proposta do texto em questão, automaticamente a graça vem e nos leva a lidar com aquele pecado com uma certa leveza. Afinal, propõe ele, a salvação já nos teria libertado da culpa de ter pecado.

Mas, se assim fosse, como entender as palavras do rei Davi no Salmo 51, rasgado pela culpa após ter adulterado com Bate-Seba e causado a morte de Urias, “tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado“?

Fato é que a nossa sociedade pós-freudiana pintou a culpa como sendo um mal terrível. Um dos grandes vilões dos nossos dias, geradora de neuroses e infelicidade. Mas a verdade é que, na Bíblia, longe dos consultórios dos psicólogos, a culpa é um mal necessário. Aliás, fundamental. Sem que o pecador seja incomodado pela culpa gerada pelo toque do Espírito (que nos convence do nosso pecado) ele não alcançará arrependimento. Mostre-me um cristão sem sentimento de culpa e lhe mostrarei um cristão que não se arrepende de seus pecados.

Quando o profeta Natã é usado pelo Espírito Santo para mostrar a Davi que ele é réu de pecado, o rei, assolado por seu sentimento de culpa, escreve nos versículos 11 a 14 do mesmo Salmo: “Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer. Então ensinarei os teus caminhos aos transgressores, para que os pecadores se voltem para ti. Livra-me da culpa dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação! E a minha língua aclamará a tua justiça“.

Será que, ao ler essas comoventes palavras de um pecador que busca desesperadamente o perdão, motivado pelo sentimento gracioso de culpa que o levou ao arrependimento, você concordaria com o que o prezado pastor escreveu em seu texto, que “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados“? Lamento, eu não. A culpa redentora da Davi soa mais forte ao meu coração, visto que foi usada como canal da graça de Deus.

A tristeza que alegra Deus

O apóstolo Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto em 2 Co 7.8-11, deixa claro: “Mesmo que a minha carta lhes tenha causado tristeza, não me arrependo. É verdade que a princípio me arrependi, pois percebi que a minha carta os entristeceu, ainda que por pouco tempo. Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa. A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte. Vejam o que esta tristeza segundo Deus produziu em vocês: que dedicação, que desculpas, que indignação, que temor, que saudade, que preocupação, que desejo de ver a justiça feita! Em tudo vocês se mostraram inocentes a esse respeito“.

Paulo está dizendo que a tristeza levou os cristãos que estavam em pecado ao arrependimento. E diz claramente: “vocês se entristeceram como Deus desejava“, ou seja, a tristeza daqueles cristãos que estavam em pecado, que foram alcançados pela graça, que se viram imersos em culpa… era desejo de Deus! Paulo afirma que o Deus de toda a graça queria que os cristãos de Corinto ficassem tristes por estarem pecando, isto é, que sentissem culpa pelo pecado e mudassem de atitude para que esse sentimento fosse deletado. E o apóstolo usa uma expressão absolutamente fora de moda nos nossos dias e que destoa totalmente do texto que motivou este post: “tristeza segundo Deus“. Ou seja, uma tristeza que vem da graça de Deus e que nos leva a sentir culpa pelo pecado e, logo, tristeza – que por sua vez leva ao arrependimento.

Fato é que o Deus da graça pode usar a culpa como um grande elemento transformador. Ver-se culpado de uma transgressão, como Davi se viu, revela em nós a ação da graça e nos desperta para as consequências do pecado, da justiça e do juízo. E não o contrário. E é essa percepção que gera a vida – mediante nosso arrependimento, nossa posterior confissão de pecados e por fim nossa reconciliação com o Pai.

Freud X Bíblia

Nós, cristãos, temos que abandonar o conceito fredudiano de culpa como elemento destruidor e passarmos a abraçar o conceito bíblico e cristão de culpa como elemento transformador. Para Freud, culpa gera neuroses. Para o Deus da graça, culpa gera tristeza que leva ao arrependimento dos pecados. E, com isso, vida.

Por isso, perdoem-me se discordo da afirmação do pastor que escreveu que “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós…como ‘pecados próprios’“. Respeito a opinião dele, mas acredito exatamente o contrário: que é com culpa que temos de tratar dos nossos pecados – pois ela é um santo remédio. A culpa age como um combustível para buscarmos com a mesma contrição de Davi o Deus Todo-Poderoso que nos livra da culpa e somente mediante esse contato deixaremos de ser escravos dela – por meio da ação perdoadora, reconciliadora e justificadora do Jesus ressurreto.

Assim, por mais curioso que seja, é justamente a culpa que nos livrará da culpa, pela ação de Deus. E, querido irmão, querida irmã, isso sim é graça: ser culpado mas ser absolvido da culpa sem nenhum merecimento. Pois tudo é mérito da Cruz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sou jovem e quero cooperar em missões! Posso?

Por Alexandre Nobre


Nós, como cristãos, cremos que toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus e é proveitosa para ensinar, redargüir, corrigir e instruir em justiça (II Tm 3:16). Nenhuma esfera humana ou classe de pessoa foi esquecida ou desprezada por Deus através da Sua Palavra. Os jovens receberam a atenção da Palavra, recebendo de Deus diversos conselhos e a direção a seguir. Vejamos o que escreveu João na sua primeira carta: “(...) Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” (I Jo 2:14). Que privilégio e que responsabilidade! Aos jovens é dito não apenas que são fortes, mas que a Palavra de Deus está em cada um deles.

E dentro desse conceito, nós encontramos verdadeiramente jovens dispostos a cooperar na obra de Deus, e dentro de cada ministério, muitos têm se destacado nas mais diversas áreas. No campo de missões não é diferente. Mas o que fazer quando se é jovem e não se pode fisicamente cooperar na obra missionária? É exatamente disso que vamos tratar nesse artigo. Você, jovem cristão, pode sim cooperar de forma direta e eficiente; vamos entender o papel do jovem que, mesmo em seu país e em sua igreja local, pode fazer a diferença em vidas que se encontram em outros países.

Esse processo de concientização de nossas ações devem começar na intimidade com Deus. A Revista IDE (1) apresenta o papel do jovem na igreja, e o mesmo conceito pode se estender à ação missionária; vejamos: “Jesus fala aos seus discípulos uma verdade importante que nos capacita a serví-Lo, participar da igreja e ser útil a ela. Cristo afirma ali que o Espírito...habita convosco e estará em vós” (1).

Percebemos, então, que o papel do jovem na igreja deve ser ativo e constante. Mas e quanto às missões? Como agir quando estou em uma igreja pequena, longe de grandes centros e de agências que preparam o crente para essa tão preciosa obra? Veremos isso a partir de agora.

Existe hoje uma organização não-governamental (ONG) chamada Portas Abertas (Open Doors, em inglês), que atua em cerca de 50 países, onde existe algum tipo de proibição, condenação, execução ou ameaça à vida das pessoas ou à sua liberdade de crer e cultuar Jesus Cristo (2). Essa ONG elabora estratégias de apoio à Igreja perseguida, dando suporte aos cristãos que professam sua fé de forma discreta, e muitas vezes oculta, em países onde qualquer prática cristã é condenada ou sofre repreensão.

E é exatamente aqui que o jovem cristão, inconformado com a situação dos seus irmãos perseguidos começa a agir, começa a mostrar a força declarada por João em sua primeira carta.

Muitos jovens têm demonstrado essa força em países onde não há qualquer tipo de liberdade. Em 17 de dezembro de 2010, aconteceu uma grande revolução no Oriente Médio e norte da África, iniciado pela ação de um jovem tunisiano de 26 anos, chamado Mohamed Bouazizi, que ateou fogo ao próprio corpo como manifestação contra as condições de vida e liberdade no país. A partir daí, diversos jovens iniciaram uma revolta em diversos países, lutando pela liberdade social; essa revolta ficou conhecida como “Primavera Árabe” (3).
Apesar dessa revolta não ter sido iniciado por um cristão, vale a pena destacar a ação de um jovem que não se conformou com a opressão do governo, mas decidiu entregar sua vida em prol de uma transformação social; e essa transformação ocorreu. Hoje, depois de mais de um ano desse acontecimento, ainda há revoltas ocorrendo, e muitas vidas têm sido destruídas pela reação brutal dos governos enfrentados.


O que podemos fazer diante de um quadro como esse? A primeira ação é a união aos nossos irmãos perseguidos pela oração. A oração de um justo pode muito em seus efeitos aqui e em qualquer lugar do mundo. A segunda ação que o jovem comprometido com essa obra deve fazer é conhecer qual a realidade do mundo quando se pensa em cristianismo. Muitos não sabem, mas existem países onde poucas, ou quase nenhuma pessoa ouviu sobre o Evangelho, devido a proibição de qualquer outra religião, senão a oficial, que é legalizada pelo governo.

Por essa razão, não se pode cruzar os braços apenas porque não podemos pegar um avião e servir aos cristãos em seus países de origem, ou pregar às almas não convertidas. É preciso fazer mais! Podemos fazer mais e podemos fazer agora. E começando pela oração, um ótimo conselho é: “(...) montar um grupo oração, com seus amigos ou familiares e interceder por aqueles que neste momento estão sofrendo perseguição por testemunharem sua fé em Cristo, é uma importante ação” (4)

Se verdadeiramente, você acredita que Deus ouve a oração dos Seus filhos, então você já pode começar a cooperar na obra missionária desde já; pois quem não se prontifica a orar pelas almas perdidas e pelos irmãos perseguidos, não pode ser enviado às nações.

Outra importante ação, é divulgar entre seus contatos cristãos e na igreja a situação opressiva que ocorre nos países, em que o evangelho é proibido. “Os jovens cristãos do século 21 não têm desculpas para não fazer deste mundo, um mundo melhor. Nós temos uma causa pela qual lutar; temos um livro que nos dá estratégias para isso; temos até as redes sociais para nos auxiliar e mais: temos a força descrita em I João 2.14. Então, o que estamos esperando?” (4).

Você, jovem, consegue perceber como sua ação pode começar e onde deve começar? Não há motivos para se esquivar de qualquer compromisso com missões. A globalização aproximou, quem estava longe e isso pode ser usado em favor do Evangelho.

Outro campo de ação interessante é o ministério de jovens da “Portas Abertas”, chamado “underground”. A página na internet da ONG Portas Abertas declara, sobre o movimento “underground” que: “Nossa missão é engajar e formar voluntários em favor da Igreja Perseguida, entre jovens cristãos brasileiros de 18 a 30 anos, por meio de redes de acesso” (5).

Ao leitor interessado em fazer parte ativamente de um grupo de apoio aos cristãos perseguidos e alcance das almas que, portanto, ainda não servem a Jesus, taí uma excelente oportunidade.

Conclusão

Em tempos como esse em que vivemos, muitas coisas chamam nossa atenção; e somos tentados todo o tempo a não nos engajar naquilo que não nos traga benefícios diretos. Por isso, hoje o Espírito Santo pode nos fazer confrontar nossa situação em relação ao que ocorre ao redor do mundo. Países do Oriente Médio e África, principalmente os de religião oficial islâmica, vivem numa constante pressão para restringir e oprimir qualquer vestígio do cristianismo que possa aparecer. Temos que então termos atitude hoje que, certamente, mudará, segundo a providência de Deus, a vida e o destino eterno de muitas pessoas.

Não se cale! Não cruze seus braços! Apenas porque não vê uma chance de dedicar sua vida localmente em outro país. Se você tem amor pelas almas, você pode começar a fazer missões na sua igreja local. Ore e forme grupos de oração pelas almas, contribua quando puder e verá que sua ação, unida com a de muitos outros irmãos ao redor do mundo, está apoiando os missionários enviados e apoiando nossos irmãos perseguidos. Que seja um tempo de despertamento para todos nós. Deus seja louvado!!!

Referências bibliográficas

1. Revista IDE, nº 07, 2006
2. http://www.portasabertas.org.br/about/apresentacao/
3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_%C3%81rabe
4. Revista Portas Abertas
5. http://www.portasabertas.org.br/ministerio/ug/

Fonte: http://www.ipda.com.br/pej/colunistas/col1111.php

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Preparado para o fim dos tempos

Alexandre Nobre

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios.” (I Tm 4:1)

Vivemos num momento muito particular da era cristã. A cada dia as peças do quebra-cabeça escatológico vão sendo identificadas e com isso pode-se enxergar as profecias do tempo do fim prontas para serem cumpridas em toda a sua literalidade. Mas apesar de tantos indícios sociais, políticos e naturais que apontam para o tempo do fim, muitos ainda preferem enxergar a época atual como um “novo tempo” para a Igreja, porém, como veremos a seguir, de novo não temos nada, pois tudo o que vem acontecendo foi predito pelo Senhor através do apóstolo Paulo na sua segunda carta a Timóteo conforme o texto acima citado. Entretanto, se faz necessário um entendimento de como a Igreja tem se apresentando nesse presente tempo e quais são as implicações que isso tem trazido aos cristãos que, em muitos casos, perdem o foco deixando de lado a cruz para abraçar uma fé rasa e infrutífera.

O Evangelho que transforma

Sabemos pelas Escrituras que Paulo perseguia cruelmente a Igreja, encarcerando e matando os cristãos por causa da fé no Senhor Jesus Cristo. Sabemos também que foi somente após o encontro no caminho de Damasco que Paulo teve sua vida transformada pela Palavra encarnada no próprio Senhor que trouxe um novo fôlego aquele que respirava ameaças contra os discípulos do Senhor (At 9:1). Através dessa experiência Paulo foi profundamente tocado pela presença do Senhor e foi escolhido para ser o autor de diversas cartas que tratavam dos mais diversos assuntos, entre eles a volta de Cristo e o caráter da Igreja cristã nesse tempo. Então, já com muita experiência em seu ministério, Paulo escreve a Timóteo sobre a apostasia que viria sobre a Igreja no fim dos tempos.

A Igreja no fim dos tempos

De todas as eras da Igreja, a atual é a que mais impressiona. Talvez pela velocidade com que as tendências e modismos pseudocrístãos se movimentam ou pela interpretação particular que grupos dão às Escrituras; porém todas essas coisas têm levado a Igreja ao mais distante e superficial comportamento religioso. Quando olhamos para a história (e deveríamos sempre olhar e aprender dela) notamos a interferência de homens que, inspirados pelo Espírito Santo, lutaram avidamente para fugirem da apostasia que sempre perseguiu a Igreja. Paulo, porém, deixou registrado que, no tempo do fim, haveria uma apostasia que seria uma ferramenta de demônios e espíritos enganadores que, através de falsas doutrinas introduziriam na Igreja comportamentos extra-bíblicos gerando assim o abandono da fiel fé cristã. Com a proximidade do tempo do fim caracterizada pelo avanço da ciência, surgimento de blocos econômicos, globalização e crescente deturpação dos valores éticos e morais, a Igreja se encontra em uma situação em que deveria haver uma renúncia total aos padrões mundanos e um apego maior às verdades bíblicas. Porém, como predito por Paulo através da inspiração do Espírito Santo não é o que estamos vendo. Doutrinas que diluem o Evangelho, misturando-o numa tentativa de torná-lo ecumênico e moldando-o à nossa cultura têm se alastrado por quase todas as Igrejas e é nesse ponto que cada cristão deve atentar à maneira em que vem conduzindo sua carreira de fé e perceber se foi sendo seduzido pelo Evangelho do agora e da facilidade. Vamos entender quais os critérios que a Palavra nos traz para provar se estamos ainda na verdadeira fé que moveu e move a verdadeira Igreja, fazendo-a renunciar e protestar diante da apostasia.

A Igreja preparada

Umas das mais contundentes afirmações bíblicas é a ordem de Deus para que seu povo seja separado dos costumes contrários à Sua Palavra. Desde os tempos antigos em Israel, Deus sempre zelou para que seu povo não se misturasse para não assimilar os costumes pagãos das nações circunvizinhas. Com o começo da era da Igreja o zelo de Deus continua o mesmo. Em vários pontos do Novo Testamento o Espírito Santo inspirou homens para que escrevessem abertamente sobre o dano que essa possível comunhão traria ao Seu povo, vejamos:
O cristão e o mundo – João escreveu na sua primeira carta um alerta aos cristãos: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” Obviamente João não estava se referindo ao mundo em seu sentido literal, mas sim ao mundo como sistema sociopolítico decaído e, portanto, o cristão não deve participar daquilo que possa, de alguma forma causar mal testemunho de sua fé.
O cristão e a sociedade – Em todo o tempo, o cristão deve apresentar um comportamento sóbrio para que em tudo o que fizer o nome de Deus seja glorificado. A Palavra nos orienta em seus primeiros mandamentos a não dizer falso testemunho contra nosso próximo (Ex 20:16); a amar ao nosso próximo (Mt 5:44); porém todo cristão deve ser contundente em resistir a toda ação imoral, ainda que isso desagrade seu próximo, pois vale mais agradar a Deus do que aos homens (I Ts 2:4);
O cristão e a Igreja – Os membros do corpo de Cristo devem ter a mesma operação, ajudando-se mutuamente para o crescimento e valor do Corpo (Rm 12:4-5). Devemos mostrar ao mundo o puro evangelho, que não se corrompe nem se deixa persuadir por palavras ou situações que nos tentariam para negarmos a nossa fé.

Conclusão

Cada cristão tem uma responsabilidade sem igual e profundamente marcante: apresentar Cristo como cabeça e a Ele somente adorar. Estamos no limiar do nosso tempo e todas as nossas ações hoje podem apontar para Cristo e mostrar Sua maravilhosa luz numa sociedade mergulhada nas trevas e nas heresias. Lembre-se que devemos ser separados (santos), pois se decidirmos por Cristo, assumiremos Suas promessas, mas também abraçaremos nossa cruz. Seja diferente! Viva para Cristo; abondone tudo aquilo que, de alguma forma, possa apagar a luz que há em você, pois como disse Paulo: “...que sociedade tem a justica com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2ª Co 6:14). Lembremos de uma oração puritana dizendo que se fosse possível escolher entre a aflição ou uma vida de prazeres no pecado, peçamos ao Senhor a santificadora aflição, pois a primeira conduz com lágrimas à eternidade com Deus; a segunda nos carrega velozmente aos tormentos do inferno. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.... e pratique! Aos que estão em Cristo, graça e paz!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A oração que Jesus nos ensinou

Por Alexandre Nobre

O monte em Cafarnaum nunca mais seria testemunha de um ensinamento tão profundo e paradoxal. Jesus viu a multidão e subiu ao monte (Mt 5:1). E, assim, começou a ensinar algo que iria revolucionar a maneira de ver, pensar e sentir das pessoas.
Aos poucos ia implodindo o ego e moldando caráter. Muito tinha que ser dito e o que seria dito deveria ser certeiro, como palavras atiradas ao alvo do coração. E Jesus não errou.
Falou aos que choram, eles seriam consolados; aos que sofrem, pois havia um reino preparado; aos que são perseguidos, pois para esses havia refúgio e aos que têm fome, pois seriam saciados. Ensinou sobre ser a luz do mundo e o sal da terra. Todos atentamente ouviam seus ensinos. A mãe pedia que a criança se calasse; um senhor que estava distante tentava aos poucos ouvir melhor o que o carpinteiro de Nazaré ensinava. Pedro tentava se aproximar mais, enquanto Tiago não abandonava seu lugar aos pés daquele que o tinha chamado das redes e barcos à luz que agora estava iluminando seu interior.
O Filho de Deus ensinando aos homens. Ninguém ali, naquele momento, poderia imaginar o impacto que esses ensinamentos teriam. Alguns dariam de ombro e blasfemariam contra suas palavras; outros, porém, nelas se deleitariam e por elas até morreriam. Foi quando começou a lhes ensinar sobre a oração. Não que o povo não a fizesse, mas a fazia de modo errado, imitando aos hipócritas que só oravam para serem vistos pelos homens. Mas o verbo encarnado tinha outro ensinamento para dar ao seu povo, e ensinando ele orou, e orando ele ensinou dizendo:
“Pai nosso...”. Jesus começa trazendo o povo distante e inseguro à presença certa de um Deus que também é Pai. Reconhece-lo como pai fazia de seu povo filhos e era esse grau de comunhão que Jesus queria imprimir nos corações; para que toda oração fosse feita na certeza de que seria ouvida( Hb 11:6).
E continuou orando: “... que estais nos céus, santificado seja o teu nome”. Nesse momento Jesus imprimia em seu povo a condição de seu Pai, um Pai santo.
“... venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Se temos um Pai, podemos também ter a certeza que ele sabe o que é melhor pra cada um de seus filhos. Foi no Getsêmani que Jesus experimentou a maior verdade dessas palavras. Ali, com a alma cheia de tristeza até a morte (Mt 26:38) Jesus orou ao Pai dizendo: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.” (Mt 26:39). O cálice que Jesus tomou foi a própria ira de Deus que viria sobre nós; mas ele a tomou antes.
“... O pão nosso de cada dia nos dá hoje”. A provisão para cada dia era o que Jesus ensinava. Como o povo que no deserto recebia o maná diário e não precisava guardá-lo, pois o Pai iria garantir para o dia seguinte, assim os filhos de Deus podem crer que a provisão do dia não faltará.
“... E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.” Aqui o Senhor volta a mexer com o coração do homem. O perdão não era mais uma qualidade do bom servo; aqui ele se torna uma obrigação de todo filho, pois se não perdoarmos aquele que nos ofende pelo Pai não seremos perdoados.
“... E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém”. Assim, depois de sermos levados à presença de um Pai santo, acreditado na sua perfeita vontade para nós, provado a provisão diária de Deus e perdoados pelo seu amor, Jesus nos ensina a clamar como clamou o salmista: “Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; assim, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me” (Sl 31:3), para que haja livramento de sermos engodados pelo pecado e sairmos do caminho que a seus filhos estava sendo proposto.
Portanto, façamos como Jesus e tenhamos confiança na oração, assim como ele nos ensinou dizendo: Meu pai, reconheço tua santidade, e que breve teu reino subsistirá sobre todos os reinos. Mas nesse momento em minha vida, faz em mim a tua vontade e dá-me Senhor o que eu preciso para o tempo que se chama hoje.
Me ensina a perdoar aqueles que me feriram e me magoaram, pois assim sei que clamarei pelo teu perdão e tu me ouvirás. E pelos caminhos dessa vida, meu Pai, segura em minhas mãos e não me deixe tropeçar com meu pé em pedra para que em mim seja glorificado seu nome. Amém!

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