sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A oração que Jesus nos ensinou

Por Alexandre Nobre

O monte em Cafarnaum nunca mais seria testemunha de um ensinamento tão profundo e paradoxal. Jesus viu a multidão e subiu ao monte (Mt 5:1). E, assim, começou a ensinar algo que iria revolucionar a maneira de ver, pensar e sentir das pessoas.
Aos poucos ia implodindo o ego e moldando caráter. Muito tinha que ser dito e o que seria dito deveria ser certeiro, como palavras atiradas ao alvo do coração. E Jesus não errou.
Falou aos que choram, eles seriam consolados; aos que sofrem, pois havia um reino preparado; aos que são perseguidos, pois para esses havia refúgio e aos que têm fome, pois seriam saciados. Ensinou sobre ser a luz do mundo e o sal da terra. Todos atentamente ouviam seus ensinos. A mãe pedia que a criança se calasse; um senhor que estava distante tentava aos poucos ouvir melhor o que o carpinteiro de Nazaré ensinava. Pedro tentava se aproximar mais, enquanto Tiago não abandonava seu lugar aos pés daquele que o tinha chamado das redes e barcos à luz que agora estava iluminando seu interior.
O Filho de Deus ensinando aos homens. Ninguém ali, naquele momento, poderia imaginar o impacto que esses ensinamentos teriam. Alguns dariam de ombro e blasfemariam contra suas palavras; outros, porém, nelas se deleitariam e por elas até morreriam. Foi quando começou a lhes ensinar sobre a oração. Não que o povo não a fizesse, mas a fazia de modo errado, imitando aos hipócritas que só oravam para serem vistos pelos homens. Mas o verbo encarnado tinha outro ensinamento para dar ao seu povo, e ensinando ele orou, e orando ele ensinou dizendo:
“Pai nosso...”. Jesus começa trazendo o povo distante e inseguro à presença certa de um Deus que também é Pai. Reconhece-lo como pai fazia de seu povo filhos e era esse grau de comunhão que Jesus queria imprimir nos corações; para que toda oração fosse feita na certeza de que seria ouvida( Hb 11:6).
E continuou orando: “... que estais nos céus, santificado seja o teu nome”. Nesse momento Jesus imprimia em seu povo a condição de seu Pai, um Pai santo.
“... venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Se temos um Pai, podemos também ter a certeza que ele sabe o que é melhor pra cada um de seus filhos. Foi no Getsêmani que Jesus experimentou a maior verdade dessas palavras. Ali, com a alma cheia de tristeza até a morte (Mt 26:38) Jesus orou ao Pai dizendo: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.” (Mt 26:39). O cálice que Jesus tomou foi a própria ira de Deus que viria sobre nós; mas ele a tomou antes.
“... O pão nosso de cada dia nos dá hoje”. A provisão para cada dia era o que Jesus ensinava. Como o povo que no deserto recebia o maná diário e não precisava guardá-lo, pois o Pai iria garantir para o dia seguinte, assim os filhos de Deus podem crer que a provisão do dia não faltará.
“... E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.” Aqui o Senhor volta a mexer com o coração do homem. O perdão não era mais uma qualidade do bom servo; aqui ele se torna uma obrigação de todo filho, pois se não perdoarmos aquele que nos ofende pelo Pai não seremos perdoados.
“... E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém”. Assim, depois de sermos levados à presença de um Pai santo, acreditado na sua perfeita vontade para nós, provado a provisão diária de Deus e perdoados pelo seu amor, Jesus nos ensina a clamar como clamou o salmista: “Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; assim, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me” (Sl 31:3), para que haja livramento de sermos engodados pelo pecado e sairmos do caminho que a seus filhos estava sendo proposto.
Portanto, façamos como Jesus e tenhamos confiança na oração, assim como ele nos ensinou dizendo: Meu pai, reconheço tua santidade, e que breve teu reino subsistirá sobre todos os reinos. Mas nesse momento em minha vida, faz em mim a tua vontade e dá-me Senhor o que eu preciso para o tempo que se chama hoje.
Me ensina a perdoar aqueles que me feriram e me magoaram, pois assim sei que clamarei pelo teu perdão e tu me ouvirás. E pelos caminhos dessa vida, meu Pai, segura em minhas mãos e não me deixe tropeçar com meu pé em pedra para que em mim seja glorificado seu nome. Amém!

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