sexta-feira, 18 de maio de 2012

Preparado para o fim dos tempos

Alexandre Nobre

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios.” (I Tm 4:1)

Vivemos num momento muito particular da era cristã. A cada dia as peças do quebra-cabeça escatológico vão sendo identificadas e com isso pode-se enxergar as profecias do tempo do fim prontas para serem cumpridas em toda a sua literalidade. Mas apesar de tantos indícios sociais, políticos e naturais que apontam para o tempo do fim, muitos ainda preferem enxergar a época atual como um “novo tempo” para a Igreja, porém, como veremos a seguir, de novo não temos nada, pois tudo o que vem acontecendo foi predito pelo Senhor através do apóstolo Paulo na sua segunda carta a Timóteo conforme o texto acima citado. Entretanto, se faz necessário um entendimento de como a Igreja tem se apresentando nesse presente tempo e quais são as implicações que isso tem trazido aos cristãos que, em muitos casos, perdem o foco deixando de lado a cruz para abraçar uma fé rasa e infrutífera.

O Evangelho que transforma

Sabemos pelas Escrituras que Paulo perseguia cruelmente a Igreja, encarcerando e matando os cristãos por causa da fé no Senhor Jesus Cristo. Sabemos também que foi somente após o encontro no caminho de Damasco que Paulo teve sua vida transformada pela Palavra encarnada no próprio Senhor que trouxe um novo fôlego aquele que respirava ameaças contra os discípulos do Senhor (At 9:1). Através dessa experiência Paulo foi profundamente tocado pela presença do Senhor e foi escolhido para ser o autor de diversas cartas que tratavam dos mais diversos assuntos, entre eles a volta de Cristo e o caráter da Igreja cristã nesse tempo. Então, já com muita experiência em seu ministério, Paulo escreve a Timóteo sobre a apostasia que viria sobre a Igreja no fim dos tempos.

A Igreja no fim dos tempos

De todas as eras da Igreja, a atual é a que mais impressiona. Talvez pela velocidade com que as tendências e modismos pseudocrístãos se movimentam ou pela interpretação particular que grupos dão às Escrituras; porém todas essas coisas têm levado a Igreja ao mais distante e superficial comportamento religioso. Quando olhamos para a história (e deveríamos sempre olhar e aprender dela) notamos a interferência de homens que, inspirados pelo Espírito Santo, lutaram avidamente para fugirem da apostasia que sempre perseguiu a Igreja. Paulo, porém, deixou registrado que, no tempo do fim, haveria uma apostasia que seria uma ferramenta de demônios e espíritos enganadores que, através de falsas doutrinas introduziriam na Igreja comportamentos extra-bíblicos gerando assim o abandono da fiel fé cristã. Com a proximidade do tempo do fim caracterizada pelo avanço da ciência, surgimento de blocos econômicos, globalização e crescente deturpação dos valores éticos e morais, a Igreja se encontra em uma situação em que deveria haver uma renúncia total aos padrões mundanos e um apego maior às verdades bíblicas. Porém, como predito por Paulo através da inspiração do Espírito Santo não é o que estamos vendo. Doutrinas que diluem o Evangelho, misturando-o numa tentativa de torná-lo ecumênico e moldando-o à nossa cultura têm se alastrado por quase todas as Igrejas e é nesse ponto que cada cristão deve atentar à maneira em que vem conduzindo sua carreira de fé e perceber se foi sendo seduzido pelo Evangelho do agora e da facilidade. Vamos entender quais os critérios que a Palavra nos traz para provar se estamos ainda na verdadeira fé que moveu e move a verdadeira Igreja, fazendo-a renunciar e protestar diante da apostasia.

A Igreja preparada

Umas das mais contundentes afirmações bíblicas é a ordem de Deus para que seu povo seja separado dos costumes contrários à Sua Palavra. Desde os tempos antigos em Israel, Deus sempre zelou para que seu povo não se misturasse para não assimilar os costumes pagãos das nações circunvizinhas. Com o começo da era da Igreja o zelo de Deus continua o mesmo. Em vários pontos do Novo Testamento o Espírito Santo inspirou homens para que escrevessem abertamente sobre o dano que essa possível comunhão traria ao Seu povo, vejamos:
O cristão e o mundo – João escreveu na sua primeira carta um alerta aos cristãos: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” Obviamente João não estava se referindo ao mundo em seu sentido literal, mas sim ao mundo como sistema sociopolítico decaído e, portanto, o cristão não deve participar daquilo que possa, de alguma forma causar mal testemunho de sua fé.
O cristão e a sociedade – Em todo o tempo, o cristão deve apresentar um comportamento sóbrio para que em tudo o que fizer o nome de Deus seja glorificado. A Palavra nos orienta em seus primeiros mandamentos a não dizer falso testemunho contra nosso próximo (Ex 20:16); a amar ao nosso próximo (Mt 5:44); porém todo cristão deve ser contundente em resistir a toda ação imoral, ainda que isso desagrade seu próximo, pois vale mais agradar a Deus do que aos homens (I Ts 2:4);
O cristão e a Igreja – Os membros do corpo de Cristo devem ter a mesma operação, ajudando-se mutuamente para o crescimento e valor do Corpo (Rm 12:4-5). Devemos mostrar ao mundo o puro evangelho, que não se corrompe nem se deixa persuadir por palavras ou situações que nos tentariam para negarmos a nossa fé.

Conclusão

Cada cristão tem uma responsabilidade sem igual e profundamente marcante: apresentar Cristo como cabeça e a Ele somente adorar. Estamos no limiar do nosso tempo e todas as nossas ações hoje podem apontar para Cristo e mostrar Sua maravilhosa luz numa sociedade mergulhada nas trevas e nas heresias. Lembre-se que devemos ser separados (santos), pois se decidirmos por Cristo, assumiremos Suas promessas, mas também abraçaremos nossa cruz. Seja diferente! Viva para Cristo; abondone tudo aquilo que, de alguma forma, possa apagar a luz que há em você, pois como disse Paulo: “...que sociedade tem a justica com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2ª Co 6:14). Lembremos de uma oração puritana dizendo que se fosse possível escolher entre a aflição ou uma vida de prazeres no pecado, peçamos ao Senhor a santificadora aflição, pois a primeira conduz com lágrimas à eternidade com Deus; a segunda nos carrega velozmente aos tormentos do inferno. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.... e pratique! Aos que estão em Cristo, graça e paz!

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