terça-feira, 26 de junho de 2012

A tristeza que alegra Deus

Por Maurício Zágari


“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado“? (Sl 51.1,2)

Li recentemente em um blog a reprodução de um velho texto de um antigo líder religioso cristão. O artigo atesta, em resumo, que “o sentimento de culpa do pecador se opõe à graça de Deus”. Que seriam conceitos excludentes, opostos. Li o referido texto, de 2003, e cheguei a uma conclusão: esse argumento está errado. Bem errado, na verdade. Segundo o artigo, “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós…como ‘pecados próprios’“. O autor propõe uma graça que desmaterializa a culpa previamente. Já eu entendo que a graça vem em sequência à culpa, como a borracha que apaga o erro. Em suma: entendo biblicamente que a graça de Deus não exclui a culpa do pecador, mas vem como o bálsamo que irá curar as dores dessa culpa e transformá-la em vida e paz.

Acredito que o pastor que escreveu o texto o fez com a melhor das boas intenções. O artigo foi escrito na tentativa de aliviar do coração dos pecadores o peso da culpa de pecados cometidos. Seria uma atitude amável e louvável, se não usasse de um argumento antibíblico. O conceito de culpa é tão execrado pelas pessoas por uma razão bem clara: ele se contrapõe frontalmente ao desejo de ser feliz. Pois culpa gera tristeza. E tristeza é o contrário de felicidade.

E a verdade é que vivemos na era do pseudoevangelho da felicidade, que afirma que o cristão tem que viver “feliz da vida”. Logo, a ideia de que o cristão sentir culpa pode ser algo benéfico como resultado da ação graciosa de Deus (e não em oposição à graça) é ofensiva ao cristão do século 21. Pois eu e você queremos seguir Jesus para sermos felizes, para fugir da tristeza, para nos livrarmos de toda a culpa e assim alcançar o máximo de felicidade que a vida com Cristo poderia nos proporcionar.

Só que há um porém. Se deixarmos de lado a poesia que existe no discurso da “graça anticulpa” e formos olhar para onde realmente importa, a Bíblia, veremos que a proposta de Cristo é que, se a tristeza for necessária, que venha! Jesus jamais, em nenhum lugar de todos os quatro Evangelhos, propõe fora do porvir uma vida de felicidade livre de culpa e de tristeza.

Culpa que funciona como canal da graça

Como funciona então – biblicamente – essa relação entre culpa e graça? A sequência é até bastante lógica:
1. O cristão peca.

2. O Espírito Santo o convence do pecado, da justiça e do juízo.

3. Esse convencimento faz brotar no coração do pecador, adivinhe você, culpa.

4. A percepção dessa culpa o leva ao arrependimento mediante a ação graciosa do Espírito Santo.

5. A confissão do pecado, motivada pela dor da culpa, aciona a ação intercessória de Cristo junto ao Pai e o pecado é lançado no mar do esquecimento.

Porém, pela proposta do texto em questão, automaticamente a graça vem e nos leva a lidar com aquele pecado com uma certa leveza. Afinal, propõe ele, a salvação já nos teria libertado da culpa de ter pecado.

Mas, se assim fosse, como entender as palavras do rei Davi no Salmo 51, rasgado pela culpa após ter adulterado com Bate-Seba e causado a morte de Urias, “tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado“?

Fato é que a nossa sociedade pós-freudiana pintou a culpa como sendo um mal terrível. Um dos grandes vilões dos nossos dias, geradora de neuroses e infelicidade. Mas a verdade é que, na Bíblia, longe dos consultórios dos psicólogos, a culpa é um mal necessário. Aliás, fundamental. Sem que o pecador seja incomodado pela culpa gerada pelo toque do Espírito (que nos convence do nosso pecado) ele não alcançará arrependimento. Mostre-me um cristão sem sentimento de culpa e lhe mostrarei um cristão que não se arrepende de seus pecados.

Quando o profeta Natã é usado pelo Espírito Santo para mostrar a Davi que ele é réu de pecado, o rei, assolado por seu sentimento de culpa, escreve nos versículos 11 a 14 do mesmo Salmo: “Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer. Então ensinarei os teus caminhos aos transgressores, para que os pecadores se voltem para ti. Livra-me da culpa dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação! E a minha língua aclamará a tua justiça“.

Será que, ao ler essas comoventes palavras de um pecador que busca desesperadamente o perdão, motivado pelo sentimento gracioso de culpa que o levou ao arrependimento, você concordaria com o que o prezado pastor escreveu em seu texto, que “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados“? Lamento, eu não. A culpa redentora da Davi soa mais forte ao meu coração, visto que foi usada como canal da graça de Deus.

A tristeza que alegra Deus

O apóstolo Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto em 2 Co 7.8-11, deixa claro: “Mesmo que a minha carta lhes tenha causado tristeza, não me arrependo. É verdade que a princípio me arrependi, pois percebi que a minha carta os entristeceu, ainda que por pouco tempo. Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa. A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte. Vejam o que esta tristeza segundo Deus produziu em vocês: que dedicação, que desculpas, que indignação, que temor, que saudade, que preocupação, que desejo de ver a justiça feita! Em tudo vocês se mostraram inocentes a esse respeito“.

Paulo está dizendo que a tristeza levou os cristãos que estavam em pecado ao arrependimento. E diz claramente: “vocês se entristeceram como Deus desejava“, ou seja, a tristeza daqueles cristãos que estavam em pecado, que foram alcançados pela graça, que se viram imersos em culpa… era desejo de Deus! Paulo afirma que o Deus de toda a graça queria que os cristãos de Corinto ficassem tristes por estarem pecando, isto é, que sentissem culpa pelo pecado e mudassem de atitude para que esse sentimento fosse deletado. E o apóstolo usa uma expressão absolutamente fora de moda nos nossos dias e que destoa totalmente do texto que motivou este post: “tristeza segundo Deus“. Ou seja, uma tristeza que vem da graça de Deus e que nos leva a sentir culpa pelo pecado e, logo, tristeza – que por sua vez leva ao arrependimento.

Fato é que o Deus da graça pode usar a culpa como um grande elemento transformador. Ver-se culpado de uma transgressão, como Davi se viu, revela em nós a ação da graça e nos desperta para as consequências do pecado, da justiça e do juízo. E não o contrário. E é essa percepção que gera a vida – mediante nosso arrependimento, nossa posterior confissão de pecados e por fim nossa reconciliação com o Pai.

Freud X Bíblia

Nós, cristãos, temos que abandonar o conceito fredudiano de culpa como elemento destruidor e passarmos a abraçar o conceito bíblico e cristão de culpa como elemento transformador. Para Freud, culpa gera neuroses. Para o Deus da graça, culpa gera tristeza que leva ao arrependimento dos pecados. E, com isso, vida.

Por isso, perdoem-me se discordo da afirmação do pastor que escreveu que “é sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós…como ‘pecados próprios’“. Respeito a opinião dele, mas acredito exatamente o contrário: que é com culpa que temos de tratar dos nossos pecados – pois ela é um santo remédio. A culpa age como um combustível para buscarmos com a mesma contrição de Davi o Deus Todo-Poderoso que nos livra da culpa e somente mediante esse contato deixaremos de ser escravos dela – por meio da ação perdoadora, reconciliadora e justificadora do Jesus ressurreto.

Assim, por mais curioso que seja, é justamente a culpa que nos livrará da culpa, pela ação de Deus. E, querido irmão, querida irmã, isso sim é graça: ser culpado mas ser absolvido da culpa sem nenhum merecimento. Pois tudo é mérito da Cruz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sou jovem e quero cooperar em missões! Posso?

Por Alexandre Nobre


Nós, como cristãos, cremos que toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus e é proveitosa para ensinar, redargüir, corrigir e instruir em justiça (II Tm 3:16). Nenhuma esfera humana ou classe de pessoa foi esquecida ou desprezada por Deus através da Sua Palavra. Os jovens receberam a atenção da Palavra, recebendo de Deus diversos conselhos e a direção a seguir. Vejamos o que escreveu João na sua primeira carta: “(...) Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” (I Jo 2:14). Que privilégio e que responsabilidade! Aos jovens é dito não apenas que são fortes, mas que a Palavra de Deus está em cada um deles.

E dentro desse conceito, nós encontramos verdadeiramente jovens dispostos a cooperar na obra de Deus, e dentro de cada ministério, muitos têm se destacado nas mais diversas áreas. No campo de missões não é diferente. Mas o que fazer quando se é jovem e não se pode fisicamente cooperar na obra missionária? É exatamente disso que vamos tratar nesse artigo. Você, jovem cristão, pode sim cooperar de forma direta e eficiente; vamos entender o papel do jovem que, mesmo em seu país e em sua igreja local, pode fazer a diferença em vidas que se encontram em outros países.

Esse processo de concientização de nossas ações devem começar na intimidade com Deus. A Revista IDE (1) apresenta o papel do jovem na igreja, e o mesmo conceito pode se estender à ação missionária; vejamos: “Jesus fala aos seus discípulos uma verdade importante que nos capacita a serví-Lo, participar da igreja e ser útil a ela. Cristo afirma ali que o Espírito...habita convosco e estará em vós” (1).

Percebemos, então, que o papel do jovem na igreja deve ser ativo e constante. Mas e quanto às missões? Como agir quando estou em uma igreja pequena, longe de grandes centros e de agências que preparam o crente para essa tão preciosa obra? Veremos isso a partir de agora.

Existe hoje uma organização não-governamental (ONG) chamada Portas Abertas (Open Doors, em inglês), que atua em cerca de 50 países, onde existe algum tipo de proibição, condenação, execução ou ameaça à vida das pessoas ou à sua liberdade de crer e cultuar Jesus Cristo (2). Essa ONG elabora estratégias de apoio à Igreja perseguida, dando suporte aos cristãos que professam sua fé de forma discreta, e muitas vezes oculta, em países onde qualquer prática cristã é condenada ou sofre repreensão.

E é exatamente aqui que o jovem cristão, inconformado com a situação dos seus irmãos perseguidos começa a agir, começa a mostrar a força declarada por João em sua primeira carta.

Muitos jovens têm demonstrado essa força em países onde não há qualquer tipo de liberdade. Em 17 de dezembro de 2010, aconteceu uma grande revolução no Oriente Médio e norte da África, iniciado pela ação de um jovem tunisiano de 26 anos, chamado Mohamed Bouazizi, que ateou fogo ao próprio corpo como manifestação contra as condições de vida e liberdade no país. A partir daí, diversos jovens iniciaram uma revolta em diversos países, lutando pela liberdade social; essa revolta ficou conhecida como “Primavera Árabe” (3).
Apesar dessa revolta não ter sido iniciado por um cristão, vale a pena destacar a ação de um jovem que não se conformou com a opressão do governo, mas decidiu entregar sua vida em prol de uma transformação social; e essa transformação ocorreu. Hoje, depois de mais de um ano desse acontecimento, ainda há revoltas ocorrendo, e muitas vidas têm sido destruídas pela reação brutal dos governos enfrentados.


O que podemos fazer diante de um quadro como esse? A primeira ação é a união aos nossos irmãos perseguidos pela oração. A oração de um justo pode muito em seus efeitos aqui e em qualquer lugar do mundo. A segunda ação que o jovem comprometido com essa obra deve fazer é conhecer qual a realidade do mundo quando se pensa em cristianismo. Muitos não sabem, mas existem países onde poucas, ou quase nenhuma pessoa ouviu sobre o Evangelho, devido a proibição de qualquer outra religião, senão a oficial, que é legalizada pelo governo.

Por essa razão, não se pode cruzar os braços apenas porque não podemos pegar um avião e servir aos cristãos em seus países de origem, ou pregar às almas não convertidas. É preciso fazer mais! Podemos fazer mais e podemos fazer agora. E começando pela oração, um ótimo conselho é: “(...) montar um grupo oração, com seus amigos ou familiares e interceder por aqueles que neste momento estão sofrendo perseguição por testemunharem sua fé em Cristo, é uma importante ação” (4)

Se verdadeiramente, você acredita que Deus ouve a oração dos Seus filhos, então você já pode começar a cooperar na obra missionária desde já; pois quem não se prontifica a orar pelas almas perdidas e pelos irmãos perseguidos, não pode ser enviado às nações.

Outra importante ação, é divulgar entre seus contatos cristãos e na igreja a situação opressiva que ocorre nos países, em que o evangelho é proibido. “Os jovens cristãos do século 21 não têm desculpas para não fazer deste mundo, um mundo melhor. Nós temos uma causa pela qual lutar; temos um livro que nos dá estratégias para isso; temos até as redes sociais para nos auxiliar e mais: temos a força descrita em I João 2.14. Então, o que estamos esperando?” (4).

Você, jovem, consegue perceber como sua ação pode começar e onde deve começar? Não há motivos para se esquivar de qualquer compromisso com missões. A globalização aproximou, quem estava longe e isso pode ser usado em favor do Evangelho.

Outro campo de ação interessante é o ministério de jovens da “Portas Abertas”, chamado “underground”. A página na internet da ONG Portas Abertas declara, sobre o movimento “underground” que: “Nossa missão é engajar e formar voluntários em favor da Igreja Perseguida, entre jovens cristãos brasileiros de 18 a 30 anos, por meio de redes de acesso” (5).

Ao leitor interessado em fazer parte ativamente de um grupo de apoio aos cristãos perseguidos e alcance das almas que, portanto, ainda não servem a Jesus, taí uma excelente oportunidade.

Conclusão

Em tempos como esse em que vivemos, muitas coisas chamam nossa atenção; e somos tentados todo o tempo a não nos engajar naquilo que não nos traga benefícios diretos. Por isso, hoje o Espírito Santo pode nos fazer confrontar nossa situação em relação ao que ocorre ao redor do mundo. Países do Oriente Médio e África, principalmente os de religião oficial islâmica, vivem numa constante pressão para restringir e oprimir qualquer vestígio do cristianismo que possa aparecer. Temos que então termos atitude hoje que, certamente, mudará, segundo a providência de Deus, a vida e o destino eterno de muitas pessoas.

Não se cale! Não cruze seus braços! Apenas porque não vê uma chance de dedicar sua vida localmente em outro país. Se você tem amor pelas almas, você pode começar a fazer missões na sua igreja local. Ore e forme grupos de oração pelas almas, contribua quando puder e verá que sua ação, unida com a de muitos outros irmãos ao redor do mundo, está apoiando os missionários enviados e apoiando nossos irmãos perseguidos. Que seja um tempo de despertamento para todos nós. Deus seja louvado!!!

Referências bibliográficas

1. Revista IDE, nº 07, 2006
2. http://www.portasabertas.org.br/about/apresentacao/
3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_%C3%81rabe
4. Revista Portas Abertas
5. http://www.portasabertas.org.br/ministerio/ug/

Fonte: http://www.ipda.com.br/pej/colunistas/col1111.php
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