quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sou jovem e quero cooperar em missões! Posso?

Por Alexandre Nobre


Nós, como cristãos, cremos que toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus e é proveitosa para ensinar, redargüir, corrigir e instruir em justiça (II Tm 3:16). Nenhuma esfera humana ou classe de pessoa foi esquecida ou desprezada por Deus através da Sua Palavra. Os jovens receberam a atenção da Palavra, recebendo de Deus diversos conselhos e a direção a seguir. Vejamos o que escreveu João na sua primeira carta: “(...) Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” (I Jo 2:14). Que privilégio e que responsabilidade! Aos jovens é dito não apenas que são fortes, mas que a Palavra de Deus está em cada um deles.

E dentro desse conceito, nós encontramos verdadeiramente jovens dispostos a cooperar na obra de Deus, e dentro de cada ministério, muitos têm se destacado nas mais diversas áreas. No campo de missões não é diferente. Mas o que fazer quando se é jovem e não se pode fisicamente cooperar na obra missionária? É exatamente disso que vamos tratar nesse artigo. Você, jovem cristão, pode sim cooperar de forma direta e eficiente; vamos entender o papel do jovem que, mesmo em seu país e em sua igreja local, pode fazer a diferença em vidas que se encontram em outros países.

Esse processo de concientização de nossas ações devem começar na intimidade com Deus. A Revista IDE (1) apresenta o papel do jovem na igreja, e o mesmo conceito pode se estender à ação missionária; vejamos: “Jesus fala aos seus discípulos uma verdade importante que nos capacita a serví-Lo, participar da igreja e ser útil a ela. Cristo afirma ali que o Espírito...habita convosco e estará em vós” (1).

Percebemos, então, que o papel do jovem na igreja deve ser ativo e constante. Mas e quanto às missões? Como agir quando estou em uma igreja pequena, longe de grandes centros e de agências que preparam o crente para essa tão preciosa obra? Veremos isso a partir de agora.

Existe hoje uma organização não-governamental (ONG) chamada Portas Abertas (Open Doors, em inglês), que atua em cerca de 50 países, onde existe algum tipo de proibição, condenação, execução ou ameaça à vida das pessoas ou à sua liberdade de crer e cultuar Jesus Cristo (2). Essa ONG elabora estratégias de apoio à Igreja perseguida, dando suporte aos cristãos que professam sua fé de forma discreta, e muitas vezes oculta, em países onde qualquer prática cristã é condenada ou sofre repreensão.

E é exatamente aqui que o jovem cristão, inconformado com a situação dos seus irmãos perseguidos começa a agir, começa a mostrar a força declarada por João em sua primeira carta.

Muitos jovens têm demonstrado essa força em países onde não há qualquer tipo de liberdade. Em 17 de dezembro de 2010, aconteceu uma grande revolução no Oriente Médio e norte da África, iniciado pela ação de um jovem tunisiano de 26 anos, chamado Mohamed Bouazizi, que ateou fogo ao próprio corpo como manifestação contra as condições de vida e liberdade no país. A partir daí, diversos jovens iniciaram uma revolta em diversos países, lutando pela liberdade social; essa revolta ficou conhecida como “Primavera Árabe” (3).
Apesar dessa revolta não ter sido iniciado por um cristão, vale a pena destacar a ação de um jovem que não se conformou com a opressão do governo, mas decidiu entregar sua vida em prol de uma transformação social; e essa transformação ocorreu. Hoje, depois de mais de um ano desse acontecimento, ainda há revoltas ocorrendo, e muitas vidas têm sido destruídas pela reação brutal dos governos enfrentados.


O que podemos fazer diante de um quadro como esse? A primeira ação é a união aos nossos irmãos perseguidos pela oração. A oração de um justo pode muito em seus efeitos aqui e em qualquer lugar do mundo. A segunda ação que o jovem comprometido com essa obra deve fazer é conhecer qual a realidade do mundo quando se pensa em cristianismo. Muitos não sabem, mas existem países onde poucas, ou quase nenhuma pessoa ouviu sobre o Evangelho, devido a proibição de qualquer outra religião, senão a oficial, que é legalizada pelo governo.

Por essa razão, não se pode cruzar os braços apenas porque não podemos pegar um avião e servir aos cristãos em seus países de origem, ou pregar às almas não convertidas. É preciso fazer mais! Podemos fazer mais e podemos fazer agora. E começando pela oração, um ótimo conselho é: “(...) montar um grupo oração, com seus amigos ou familiares e interceder por aqueles que neste momento estão sofrendo perseguição por testemunharem sua fé em Cristo, é uma importante ação” (4)

Se verdadeiramente, você acredita que Deus ouve a oração dos Seus filhos, então você já pode começar a cooperar na obra missionária desde já; pois quem não se prontifica a orar pelas almas perdidas e pelos irmãos perseguidos, não pode ser enviado às nações.

Outra importante ação, é divulgar entre seus contatos cristãos e na igreja a situação opressiva que ocorre nos países, em que o evangelho é proibido. “Os jovens cristãos do século 21 não têm desculpas para não fazer deste mundo, um mundo melhor. Nós temos uma causa pela qual lutar; temos um livro que nos dá estratégias para isso; temos até as redes sociais para nos auxiliar e mais: temos a força descrita em I João 2.14. Então, o que estamos esperando?” (4).

Você, jovem, consegue perceber como sua ação pode começar e onde deve começar? Não há motivos para se esquivar de qualquer compromisso com missões. A globalização aproximou, quem estava longe e isso pode ser usado em favor do Evangelho.

Outro campo de ação interessante é o ministério de jovens da “Portas Abertas”, chamado “underground”. A página na internet da ONG Portas Abertas declara, sobre o movimento “underground” que: “Nossa missão é engajar e formar voluntários em favor da Igreja Perseguida, entre jovens cristãos brasileiros de 18 a 30 anos, por meio de redes de acesso” (5).

Ao leitor interessado em fazer parte ativamente de um grupo de apoio aos cristãos perseguidos e alcance das almas que, portanto, ainda não servem a Jesus, taí uma excelente oportunidade.

Conclusão

Em tempos como esse em que vivemos, muitas coisas chamam nossa atenção; e somos tentados todo o tempo a não nos engajar naquilo que não nos traga benefícios diretos. Por isso, hoje o Espírito Santo pode nos fazer confrontar nossa situação em relação ao que ocorre ao redor do mundo. Países do Oriente Médio e África, principalmente os de religião oficial islâmica, vivem numa constante pressão para restringir e oprimir qualquer vestígio do cristianismo que possa aparecer. Temos que então termos atitude hoje que, certamente, mudará, segundo a providência de Deus, a vida e o destino eterno de muitas pessoas.

Não se cale! Não cruze seus braços! Apenas porque não vê uma chance de dedicar sua vida localmente em outro país. Se você tem amor pelas almas, você pode começar a fazer missões na sua igreja local. Ore e forme grupos de oração pelas almas, contribua quando puder e verá que sua ação, unida com a de muitos outros irmãos ao redor do mundo, está apoiando os missionários enviados e apoiando nossos irmãos perseguidos. Que seja um tempo de despertamento para todos nós. Deus seja louvado!!!

Referências bibliográficas

1. Revista IDE, nº 07, 2006
2. http://www.portasabertas.org.br/about/apresentacao/
3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_%C3%81rabe
4. Revista Portas Abertas
5. http://www.portasabertas.org.br/ministerio/ug/

Fonte: http://www.ipda.com.br/pej/colunistas/col1111.php

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