sábado, 28 de julho de 2012

Cumpra seu ministério


Por Alexandre Nobre

Foi talvez em um culto avivado e diante de um apelo emocionante, que levantamos nossas mãos para receber o perdão e a graça de Deus através da pessoa de Jesus Cristo. Desde esse dia temos aprendido com o Senhor que a vida cristã caminha na contramão da vida secular e que não há como brilhar nesse mundo se dele não nos separarmos.
Mas, por que em nossos dias vemos não poucos cristãos com uma luz pálida e com sua aparência tão semelhante àquela a qual o Senhor nos ordenou que nos despojássemos? (Ef 4:22).
A resposta a essa pergunta está em uma única palavra: Conformismo. E é esse conformismo que muitas vezes nos faz assentar à beira do caminho e, a partir daí, passamos a olhar aqueles que passam tão rapidamente; e vendo-os dizemos: “Outrora fui rápido assim”.  Com tantas obrigações seculares, seja no trabalho, no estudo ou em nossas casas, vivemos numa luta constante contra os ponteiros do relógio, os quais parecem “caminhar” mais rápido do que nossa necessidade. Não controlamos o tempo, mas somos controlados por ele, e assim, negligenciando uns minutinhos de oração aqui, um tempo de leitura da bíblia ali, vamos parando.
Se “parados” não descreve a muitos, “desatentos”, no entanto, cai como uma luva. Esquecemos da obra a fazer, da seara a ser colhida, do arado em que colocamos nossas mãos. E dentro das Escrituras Sagradas encontramos um homem que também se esqueceu, que também se assentou à beira do caminho, e como muitos, também se conformou.
Arquipo era seu nome. Um homem da casa de Filemom que recebeu do apóstolo Paulo uma mensagem especial, direta e concisa. Na carta que Paulo escreveu aos colossenses, já quase no momento de deixar de lado sua caneta, Paulo escreveu: “Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras.” (Cl 4:17). O que essa mensagem tão direta nos apresenta? O que houve com Arquipo para que Paulo precisasse admoestá-lo publicamente? A Bíblia não nos apresenta detalhes. Mas, Paulo, vendo a apatia e conformismo de Arquipo, não quis lhe deixar dessa forma. A igreja em Colossos apresentava muitos problemas e Paulo advertiu a todos em sua carta. Mas mesmo assim, Arquipo não podia ser esquecido. Não por Paulo, que tanto batalhava pela obra e que sabia da necessidade da igreja e da utilidade de Arquipo na obra.
E assim foi a mensagem; direta e sem meias-palavras. Paulo descreveu Arquipo como “companheiro” em sua carta a Filemom (Fl 1:2), e resolveu persuadí-lo de sua situação. Era como se Paulo dissesse: “Arquipo meu amigo, se levanta desse banco e veja quanta obra para ser feita.” Então a mensagem foi entregue. Não sabemos com detalhes sobre o ministério na vida de Arquipo, porém sabemos que aquilo que era pra ser dito, assim o foi.
E o Senhor traz essa mensagem a todos os seus servos. Não importa se jovem ou idoso; se novo convertido ou com anos de caminhada na vida cristã; o que a Palavra de Deus nos afirma é que em muitos lugares há aqueles que se esqueceram do alvo. Foi também Paulo que, escrevendo aos filipenses, lhes ensinou o que devemos esquecer e também em que nos atentar. Paulo disse: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Fl 3:14-15).
Essa lição de Paulo é muito valiosa. Não importa se alguns de nós estejamos como Arquipo, desatentos com o ministério o qual o Senhor nos confiou, não importa se pelos vales e desertos pensamos que chegamos ao fim e decidimos parar à sombra de alguma árvore e ali nos conformamos. O mais importante é que hoje o Senhor nos traz à memória que ainda existe um alvo, ainda existe uma obra a ser feita. Se temos que nos esquecer de algo, façamos como Paulo e esqueçamos das coisas que para traz ficaram e assim, avancemos para as que estão hoje, agora, diante de nós pois “a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fl 3:20).
Lembrem-se, não importa onde paramos, em que caminho nos assentamos, hoje o Senhor nos exorta a continuarmos, a voltarmos ao zelo anterior e cumprir o ministério que recebemos no Senhor e assim cumprir com alegria nossa carreira dando testemunho do evangelho da graça de Deus (At 20:24).

 Que o Deus de paz nos ajude!

sábado, 21 de julho de 2012

E quando todos esquecem?


Por Alexandre Nobre

            Uma das experiências mais difíceis na vida cristã é quando passamos por alguma dificuldade e, de uma hora para outra, parece que não há ninguém quem nos possa ajudar. É difícil sim ... e dói ... como dói! Mas esse tipo de experiência, invariavelmente, todos os cristãos passam; aliás me atrevo a dizer que esse “deserto” em meio à dificuldade é algo que todos os seres humanos experimentam, sejam cristãos ou não.
            Mas, falando do deserto na vida cristã, posso dizer, eu já passei por ele, você provavelmente também, mas por mais que essa experiência seja um tanto comum, a maneira de lidar com essa situação é muito particular, ou seja, cada um de nós reagirá de forma pontual diante dos desertos da vida espiritual.
            Claro que esse post não tem a intenção de ser o manual da vida cristã no deserto; definitivamente não! Porém, algumas experiências vividas e o desabafo de uma irmã em Cristo me impeliram a escrever de forma objetiva como podemos enfrentar esse sofrimento; claro que tudo isso seria nada, se o que você vai ler a partir de agora não estivesse pautada nas Escrituras Sagradas.
            Como descrevi, foi o desabafo de uma irmã que me fez relembrar meus desertos, de como eles me fizeram chorar e de como me ensinaram. Nessa conversa, a irmã me disse a seguinte frase: “(...) me senti assim sem rumo olhando para um lado pro outro e não via ninguém nada pra onde eu pudesse correr”. A conversa se estendeu por vários minutos, quase uma hora, e biblicamente tentei apresentar forças à minha irmã; forças essas que, obviamente não vêm de mim, mas da Palavra de Deus e do Espírito Santo.
            Essa irmã resolveu não me contar o real motivo desse sofrimento. Mas enquanto ela desabafava, minha mente montava a cena, quadro a quadro, cada palavra que ela me falava me fazia imaginar seu sofrimento. E, após ouvi-la atentamente, resolvi expor minha opinião e de alguma forma ajuda-la a enfrentar essa situação.
            Claro que minhas palavras não salvaram minha amiga do seu sofrimento, mas sabemos que toda a palavra de Deus é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, redargüir, e instruir em justiça (II Tm 3:16) e o Senhor foi glorificado em Sua Palavra.
            Essa situação me fez pensar muito sobre o deserto da vida cristã. Por que acontece? Por que Deus permite? Por que parece que Deus nos esqueceu? Como em tudo e em todas as coisas, a Palavra de Deus tem as respostas, vejamos:

No deserto, conhecemos a nós mesmos

            É justamente nos piores momentos da vida que revelamos nossa verdadeira natureza. Quando somos perseguidos, destratados, deixados de lado, esquecidos; nesses momentos o que era prioridade fica em segundo plano; aquilo que não vivíamos sem, nessas horas são esquecidas em algum canto da casa; dessa forma, invertemos padrões e mudamos conceitos. É muito comum nos surpreendermos conosco quando passamos por grandes dificuldades. A raiva escondida vem à tona; o orgulho velado se eleva e se apresenta; o medo oculto se revela; e não adianta mais máscaras: somos nós sim; patentes e nus diante de Deus e de nós mesmos. E é justamente aí que precisamos fazer uma auto avaliação. Quem somos? O que nos levou a agir dessa forma? Esse momento também é importante para analisarmos nossa fé em Deus, afinal se estamos desesperados, pode ser que não estejamos tão inabaláveis assim. É preciso pensar a respeito.

No deserto, nosso caráter é provado e aperfeiçoado

            Uma famosa frase do filosofo grego Epicuro (341-270) diz que “Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades”. Espiritualmente, é no deserto que podemos ser aperfeiçoados em Deus, pois toda nossa independência é colocada à prova e, muitas vezes por estarmos cansados de lutar contra as provações, nos rendemos sem reservas aos cuidados de Deus. É aí que começa a prática do salmo de número 40, onde não temos mais opções, a não ser esperarmos com paciência no Senhor, confiando em Seu cuidado e correção.

 No deserto, Deus nos trata de forma especial

            É impossível não se emocionar quando lembramos dos cuidados do Senhor sobre nossas vidas quando passamos pelo “vale”. Nos momentos em que parece que estamos distantes de Deus, na verdade, por Ele estamos sendo provados e aperfeiçoados. O profeta Oséias, em seu livro, traz uma interessante palavra de qual é nossa situação quando estamos no deserto. No capítulo 13, verso 5, ele diz: “Eu te conheci no deserto, na terra muito seca”. O contexto da mensagem diz respeito a como Deus tratou com seu povo, tirando-o do Egito, atravessou o deserto e como Israel se entregou à idolatria. Deus conhecia o futuro de Israel, porém em Sua longanimidade Ele se voltou ao Seu povo, e dele teve misericórdia. O período do deserto de Israel foi de aprendizado, pois suas ações ficaram registradas na memória do povo, de geração à geração, provando a misericórdia do Senhor. Deus tratou Seu povo de forma especial e única; assim, quando, em comparação, passamos pelos nossos desertos na vida espiritual, Ele nos trata de forma especial também.

Então ...

            Não nos esqueçamos que, mesmo em meio ao silêncio de Deus; à Sua provação e repreensão, Ele sempre olha pelos Seus filhos. Veja o que diz Isaias no capítulo 49, verso 15: Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.” Aleluia!! Que maravilhosa promessa!! Se você está passando pelo deserto espiritual, ou ainda venha a passar, em tudo ofereça a Deus sua adoração. Que suas lágrimas, seus gemidos e até sua tristeza sejam para a glória Dele, pois essa leve e momentânea tribulação produzirá em você um peso de glória mui excelente (II Co 4:17).
            Se quando passares pelas provas do deserto espiritual, e, assim como minha amiga, procurar ajuda nas pessoas e não encontrar, não desanime. Uma conhecida música evangélica diz assim: “Se tanta gente tentou te ajudar mas não deu, não julgues, porque é de Deus; tem coisas que só Jesus faz”. É bem verdade ... Deus pode permitir que passemos pelos desertos e que todos à nossa volta nos abandonem para que provemos da fidelidade do Senhor, assim como Seu povo Israel no deserto; assim teremos mais confiança e comunhão com nosso Deus, e assim como Jó, poderemos dizer: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.”

 Que o Deus de paz nos ajude!

sábado, 14 de julho de 2012

Às vezes nem eu entendo


Por Alexandre Nobre

            É espantosa a capacidade que temos de prometer coisas que não podemos cumprir; mais espantosa ainda é a nossa capacidade de nos esquecer daquilo que prometemos, e sem nenhuma hesitação quebramos promessas; viramos pro lado e saímos como se nada tivéssemos prometido.
            Não me sinto bem em escrever na terceira pessoa, na verdade, em primeira seria o ideal... eu sou assim, na nudez da maldade do meu coração. Não posso negar que não há nada de bom na minha carne, porém, biblicamente, percebemos que esse é um padrão do ser humano: esquecemos facilmente das promessas que fizemos.
            O que pode haver de mais infiel do que o coração do homem? Jonathan Edwards (1703-1758), pastor e teólogo americano, disse certa vez: “Quando olho para dentro de meu coração e observo minha iniquidade, ele parece um abismo infinitamente mais fundo do que o próprio inferno." Sim meu amigo, essa é nossa realidade, não somos melhores que isso, afinal enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jr 17:9).
            Claro que, de modo geral, procuramos ser fiéis em tudo aquilo que prometemos, mas se em algum momento pisamos na bola, corremos para II Timóteo 2:13 e declaramos em alto e bom som que ainda que sejamos infiéis, Ele permanece fiel. Mas não consideramos que, na verdade, Deus é Fiel à Sua Palavra, e não à nossa infidelidade.
            Confessar a infidelidade não é fácil; afinal o que vão pensar de nós? Eu, infiel? Claro que não. Mas esse post não traz a pretensão de ser o plácido exemplo da moralidade; isso seria fácil demais. Difícil é exteriorizar o que está bem escondidinho embaixo do tapete; tenho falhado em minhas promessas.
            Mas também não quero deixar que minhas palavras pareçam uma faísca de arrependimento por algo pontual; não! A infidelidade muitas vezes ronda minha casa, meu templo, minhas palavras. Quando diante de Deus faço uma promessa, penso logo nas implicações que essa promessa traz (Ec 5:4). Não posso ser tolo ao ponto de achar que será mais uma não cumprida. Por isso penso e repenso, reflito sobre o que quero e, se sei que não posso suportar, em vez de prometer, peço ... mas peço misericórdia!
            A misericórdia de Deus ... o que seria de mim sem ela. Entendo em mim as palavras de Paulo em Romanos 7:24. Sim, sou miserável; e sei que apenas Deus pode me livrar do corpo desta morte. Por isso, se tem algo que preciso não são votos de fidelidade a Deus, mas de misericórdia de Deus; de longanimidade de Deus; pois muitas vezes eu mesmo não tenho paciência comigo.


            Eu quero ser fiel, muitos cristãos querem ser fiéis; mas em mim vejo uma ferrenha batalha pra que o mal que eu não quero, eu não faça, e o bem que quero fazer eu faça.     Mas eu confesso, em mim não há forças nem fidelidade alguma, e quando penso que o Criador me olha com amor, através de Jesus, meus joelhos se dobram e choro ... tento esquadrinhar o amor de Deus e o porquê sou alvo dele, mas às vezes nem eu entendo.

Que o Deus de paz nos ajude.

sábado, 7 de julho de 2012

Por que sou credobatista?



Por Clóvis

 "Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração" At 8:36-37

Antes de mais nada, o que é um credobatista? É uma pessoa que crê que o batismo deve se realizado apenas em pessoas crentes, em termos práticos, que fizeram confissão de fé. Difere do batismo de adulto por não estabelecer uma idade mínima para realização do batismo e do pedobatismo por entender que uma criança não exerce fé pessoal, que é um pré-requisito para o batismo. As razões que me fazem um credobatista são bíblicas, teológicas e históricas.



Argumentos bíblicos
1. As prescrições do batismo

A Bíblia traz várias orientações sobre o batismo, as quais acabam por requerer que o candidato ao mesmo tenha primeiramente crido. Na Grande Comissão Jesus garantiu que "quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc 16:16). A ênfase recai sobre o ato de crer, sendo o batismo conseqüência natural. Tanto que na oração seguinte, sequer se fala do batismo, que é irrelevante se alguém não tem fé. Na inauguração da igreja Pedro instou com o povo dizendo "arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo" (At 2:38). Vemos em seguida que "foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra" (At 2:41). Crer, arrepender-se e receber de bom grado a Palavra são coisas que antecedem o batismo.
Na repreensão de João Batista vemos o mesmo princípio. Ele diz "à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Lc 3:7-8). O precursor de Jesus exigia conversão de todos quantos quisessem descer às águas do batismo. O batismo cristão segue o mesmo princípio. Quando o eunuco perguntou o "que impede que eu seja batizado?" Filipe respondeu "É lícito, se crês de todo o coração" e somente quando o eunuco confessou "creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus" é que "desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou" (At 8:36-38). Portanto, o crer em Cristo é condição sine qua non para o batismo.

2. Os exemplos bíblicos
Os exemplos de batismos registrados na Bíblia corroboram o credobatismo. Os que eram batizados por João Batista o eram "confessando os seus pecados" (Mt 3:6; Mc 1:5) e "justificaram a Deus" (Lc 7:29). Atos registra que "como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres" (At 8:12). Continua o historiador dizendo que "creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe" (At 8:13) e que "os coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados" (At 18:8). Não há um só registro positivo de batismo de não crentes sendo batizados.

Argumentos teológicos
1. O significado do batismo

O batismo é o primeiro das duas ordenança de Cristo à Igreja. O significado teológico do batismo varia conforme a tradição evangélica. Para os credobatistas, o batismo é principalmente um sinal e um testemunho externo da obra de Deus realizada na regeneração. Como a Ceia do Senhor representa a obra de Cristo na cruz, o batismo representa a obra do Espírito Santo no coração do crente. Temos então que o batismo é um símbolo exterior que representa uma realidade interior, sendo a fé o vínculo entre o símbolo e a coisa significada. Sem fé, o batismo não é um sacramento. Não é de se estranhar, portanto, que todos os batismos registrados na Bíblia sejam de crentes.

2. Depoimentos teólogos
Mesmo autores não credobatistas tem que reconhecer que o batismo de não crentes, especialmente o de recém-nascidos, não tem amparo bíblico direto. Creio que pela palavra de três pedobatistas. O Dr. A. Plummer (Igreja da Inglaterra) diz que "dos que recebem o batismo cristão é requerido que se arrependam e creiam" (Dictionary of the Bible). M. W. Jacobus (Congregacional) reconhece que "nós não temos nenhum registro no Novo Testamento do batismo de infantes" (Standard Bible Dictionary). E o presbiteriano Scott McKnight afirma que "o Novo Testamento não contém referência explícita ao batismo de infantes ou de criancinhas" (Dictionary of de the Bible).

Argumentos históricos
1. O Didaquê

O Didaquê ou Ensinamento dos Doze Apóstolos, escrito entre os anos 145-150 dC, traz a seguinte orientação: "Quanto ao batismo, batize assim: tendo primeiro ensinado todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (VII, 1). A expressão "tendo primeiro ensinado" deixa claro que o batismo é precedido de ensinamento. A prescrição seguinte também pressupõe pessoas crentes sendo doutrinadas "antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias" (VII, 4). Portanto, no segundo século, o costume da igreja era batizar crentes professantes.

2. Pais da Igreja

O Dictionary of Christianity in America diz que algum tempo depois do segundo século é que o batismo de infantes foi introduzido na igreja, mas que a prática do batismo de crentes continuou como de uso geral até a Idade Média. Não ignoro as referências de Orígenes (185-253), Tertuliano (160-240), Ireneu (125-190) e Justino Mártir (c. 138) ao batismo infantil. Mas elas estão invariavelmente ligadas ao erro da regeração batismal ou são incertas. Orígenes diz que crianças são batizadas para perdão dos pecados. Tertuliano reprovava o batismo infantil, por considerar que o batismo lava os pecados passados, então aconselhava postergar o ato. Ireneu até mesmo usa o termo regeneração como significando batismo. E Justino diz que "muitas pessoas, de ambos os sexos, algumas com seis ou sete anos de idade, foram feitas discípulos de Cristo desde sua infância". Porém não há referência ao batismo aqui e a expressão "foram feitas discípulos" parece apontar para a conversão e o ensino.

Conclusão
O fato é que a Bíblia exige fé e arrependimento de quem se apresenta para o batismo e não registra nenhum caso de não crente ou infante sendo batizado. A história revela que a prática do batismo infantil não remonta aos apóstolos e que se iniciou com uma visão distorcida de seu significado teológico. Por estas razões, sou credobatista. E por outras não sou pedobatista. Mas isto é assunto para outro artigo.

Fonte: Beréia
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