sábado, 14 de julho de 2012

Às vezes nem eu entendo


Por Alexandre Nobre

            É espantosa a capacidade que temos de prometer coisas que não podemos cumprir; mais espantosa ainda é a nossa capacidade de nos esquecer daquilo que prometemos, e sem nenhuma hesitação quebramos promessas; viramos pro lado e saímos como se nada tivéssemos prometido.
            Não me sinto bem em escrever na terceira pessoa, na verdade, em primeira seria o ideal... eu sou assim, na nudez da maldade do meu coração. Não posso negar que não há nada de bom na minha carne, porém, biblicamente, percebemos que esse é um padrão do ser humano: esquecemos facilmente das promessas que fizemos.
            O que pode haver de mais infiel do que o coração do homem? Jonathan Edwards (1703-1758), pastor e teólogo americano, disse certa vez: “Quando olho para dentro de meu coração e observo minha iniquidade, ele parece um abismo infinitamente mais fundo do que o próprio inferno." Sim meu amigo, essa é nossa realidade, não somos melhores que isso, afinal enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jr 17:9).
            Claro que, de modo geral, procuramos ser fiéis em tudo aquilo que prometemos, mas se em algum momento pisamos na bola, corremos para II Timóteo 2:13 e declaramos em alto e bom som que ainda que sejamos infiéis, Ele permanece fiel. Mas não consideramos que, na verdade, Deus é Fiel à Sua Palavra, e não à nossa infidelidade.
            Confessar a infidelidade não é fácil; afinal o que vão pensar de nós? Eu, infiel? Claro que não. Mas esse post não traz a pretensão de ser o plácido exemplo da moralidade; isso seria fácil demais. Difícil é exteriorizar o que está bem escondidinho embaixo do tapete; tenho falhado em minhas promessas.
            Mas também não quero deixar que minhas palavras pareçam uma faísca de arrependimento por algo pontual; não! A infidelidade muitas vezes ronda minha casa, meu templo, minhas palavras. Quando diante de Deus faço uma promessa, penso logo nas implicações que essa promessa traz (Ec 5:4). Não posso ser tolo ao ponto de achar que será mais uma não cumprida. Por isso penso e repenso, reflito sobre o que quero e, se sei que não posso suportar, em vez de prometer, peço ... mas peço misericórdia!
            A misericórdia de Deus ... o que seria de mim sem ela. Entendo em mim as palavras de Paulo em Romanos 7:24. Sim, sou miserável; e sei que apenas Deus pode me livrar do corpo desta morte. Por isso, se tem algo que preciso não são votos de fidelidade a Deus, mas de misericórdia de Deus; de longanimidade de Deus; pois muitas vezes eu mesmo não tenho paciência comigo.


            Eu quero ser fiel, muitos cristãos querem ser fiéis; mas em mim vejo uma ferrenha batalha pra que o mal que eu não quero, eu não faça, e o bem que quero fazer eu faça.     Mas eu confesso, em mim não há forças nem fidelidade alguma, e quando penso que o Criador me olha com amor, através de Jesus, meus joelhos se dobram e choro ... tento esquadrinhar o amor de Deus e o porquê sou alvo dele, mas às vezes nem eu entendo.

Que o Deus de paz nos ajude.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito boa reflexão!

Anônimo disse...

Louvado seja Deus, por nos amar de forma tão especial e nos ajudar em nossas fraquezas!!
parabens pelo blog!!

Marcela

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