sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A fragilidade do homem

Por Alexandre Nobre


          Esses dias tive a oportunidade de assistir novamente um filme de 1998 chamado “Impacto Profundo”. Nesse filme, um astrônomo mirim descobre que um cometa de 11 km está em rota de colisão com a Terra. O filme retrata duas tentativas de interferir na órbita do cometa, na primeira a tentativa de instalar ogivas nucleares no interior do cometa; na segunda, mísseis russos foram disparados em direção ao cometa, porém, ambas tentativas sem sucesso. No final, o grupo de astronautas destacados para a missão toma uma atitude radical: com algumas ogivas nucleares na nave, eles resolvem combater o cometa com a própria nave, o que minimizou as conseqüências do impacto do cometa com a Terra.
            Independente da opinião sobre a possibilidade disso acontecer, uma coisa é certa: somos extremamente frágeis em nossa estrutura, seja em nossos corpos, seja em nosso planeta; estamos vulneráveis. Mas, e quanto à nossa alma? Que segurança temos? Se pensarmos friamente sobre isso, ao homem não sobra nenhuma esperança! Não estou sendo fatalista, mas desde que recebemos o pecado como herança o homem aprendeu a andar por um único caminho: o caminho que leva ao inferno.
            Se estamos debaixo dessa fragilidade, o que poderíamos fazer para alcançar a segurança? Sabemos pela Palavra; há apenas um caminho: a graça de Deus por intermédio de Seu filho Jesus Cristo.
            Mas o meditar nessa fragilidade deveria nos fazer agarrar à nossa fé mais do que tudo. Se em algum momento sentimo-nos capazes ou autossuficientes, devemos voltar nossos olhos às Escrituras e entender a nossa real situação. Veja as palavras do salmista quanto à situação:
“Faze-me conhecer, SENHOR, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil.” (Sl 39:4)
            O despertar dessa realidade só pode vir de Deus; o homem que vive sua vida longe da graça de Deus permanece no cume de seu orgulho e não percebe sua fragilidade; e o homem que vive sob a graça de Deus deve, por dever, pedir em orações, súplicas e lágrimas esse mesmo despertamento: “Mostra-me minha fragilidade, Senhor!”.
O famoso sermão pregado por Jonathan Edwards em 1741 (Pecadores nas mãos de um Deus irado) atravessa nossa soberba como uma espada afiada. Nele, Jonathan Edwards apresenta o verso 35 do capítulo 32 do livro de Deuteronômio: “... a seu tempo, quando resvalar o seu pé” como um alerta aos ímpios sobre quão perto estão do abismo que consumirá suas almas eternamente. É fortemente apresentado a ideia de como, a qualquer tempo, os ímpios podem ser consumidos pela vingança do Senhor: “Eu insistiria agora num exame maior das seguintes palavras: não há nada, a não ser a boa vontade de Deus, que impeça os ímpios de caírem no inferno a qualquer momento.”
Se pudermos fazer um paralelo com a situação do filme mencionado acima com o que acontece com o ímpio, veremos que é a mesma situação, ambos encontram-se em perigo, como escreveu Edwards. Ambos estão a um passo do abismo e não há nada neles mesmos que possam fazer para mudarem essa situação; se não for a graça de Deus, ambos estão sujeitos ao perigo e à destruição.
Davi apresentou a fragilidade do homem nos salmos de forma impactante. Se mergulharmos no salmo 39, veremos que a intenção de Davi, inspirado pelo Espírito Santo, é mostrar a efemeridade do homem. No verso 11 do capítulo 39 ele enfatiza isso: “Quando castigas o homem, com repreensões por causa da iniqüidade, fazes com que a sua beleza se consuma como a traça; assim todo homem é vaidade. (Sl 39:11). Todo homem é vaidade! Não apenas o ímpio, mas todos. Estamos o tempo todo debaixo de uma chuva de vaidades que procuram ocupar o lugar de Deus em nosso coração; em nosso tempo. Os programas de televisão, amigos, trabalho e até a nossa família pode nos privar do tempo com Deus, da comunhão através da oração.
Obviamente, aqueles que estão sob a graça de Deus e foram chamados à salvação sabem que devem atentar para essa situação e fugir das futilidades do mundo. Mas é sempre conveniente a exortação de que, se Satanás tem soprado em nossos ouvidos a rebeldia de forma camuflada, devemos lembrar de quão frágeis somos; de como a salvação é algo raro, único e devemos fazer firme nosso chamado, como Pedro escreveu em sua segunda carta: Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” (II Pe 1:10).
Sejamos firmes, constantes e fujamos de tudo aquilo que não tem aparência de mal, mas que em si traz a capacidade de sugar nosso tempo e nos envolver de tal forma que nos esqueçamos o quanto precisamos da comunhão íntima com Deus.
Esquadrinhemos nossa mente completamente pela Palavra, não descansaremos, nem tenhamos sossego até que nossa fragilidade seja claramente exposta e então, percebendo-a, correremos tão avidamente aos cuidados do Senhor, que dessa forma sim seremos fortalecidos por Aquele que tem todo o poder.  
Somos frágeis, não corramos o risco de nos afastar Daquele que é nossa força, nosso abrigo; se negligenciarmos o abrigo que o Senhor tem para nós através da comunhão, alegando que somos fracos e o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza, estamos sendo preguiçosos e heréticos, usando texto fora de contexto para apoiar nossa apatia ou provar nossa dislexia. Busquemos ao Senhor enquanto podemos achar, invoquemos enquanto Ele está perto.

Que o Deus de paz nos ajude.            
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