sábado, 10 de novembro de 2012

As promessas da Palavra de Deus


Por Alexandre Nobre

            Ultimamente há, no meio evangélico, uma enxurrada de matéria-prima para consolar e exaltar o homem, seja por meio de livros, músicas ou pregações. Se analisarmos friamente o material evangélico produzido, veremos que há em todos eles um antropocentrismo que busca colocar o homem em uma situação confortável, a despeito de seus pecados e seu estado irregenerado.
            Mas falando de consolação, quando corre a notícia de que um “grande homem de Deus” está pregando, orando e curando, muitos se aglomeram em busca de algo que possa satisfazer seus desejos e consolar suas aflições. Mas até aí, o que parece ser inofensivo, pode se tornar um costume antibíblico, pois a busca por sinais, na maioria das vezes, tira o foco do verdadeiro alvo da nossa adoração: Jesus Cristo.
            O evangelho fast-food dos nossos dias apresenta uma resposta rápida aos problemas enfrentados; é uma caixinha de promessa onde se abraça aquilo que convém e se descarta o que não agrada. É lamentável ver que uma grande quantidade de cristãos evangélicos nunca leu as Escrituras em seu todo; e uma boa parte, quando a lê, faz de forma mecânica, sem um estudo sistemático daquilo que se lê. Falta, portanto, um olhar mais crítico sobre as palavras da Bíblia, porém não se entenda “crítico” como aquele que olha o texto de cima, procurando nele incoerências; deve-se ler a bíblia de forma crítica procurando extrair de seu texto aquilo que de mais profundo ela pode oferecer, indo além de seu contexto imediato, portanto lendo com os olhos de servo.
            John MacArthur traça um perfeito quadro dessa situação: “Os gurus do movimento de crescimento da igreja se preocupam com o que atrai a multidão, e não com aquilo que a Bíblia diz. Devido ao bem sucedido apelo à carne não redimida, os pregadores da prosperidade fazem do homem o mestre, como se Cristo fosse um tipo de gênio da lâmpada – obrigado a conceder saúde, prosperidade e felicidade aqueles que enviam dinheiro o suficiente.”¹
            E os frutos desse antropocentrismo gospel em torno, como foi descrito, de músicas pregações, livros e do evangelho “fast-food” geram cristãos débeis, vazios da consolação das Escrituras e por muitas vezes, falta-nos coragem em denunciar essa busca por cisternas rotas, que não retém água (Jr 2:13). Essa analogia é perfeita, pois a consolação que muitos têm buscado através de homens, por um momento pode funcionar, mas por não reter a verdadeira água (Jo 4:14) tal cristão voltará a ter sede, e isso culminará em um ciclo sem fim, pois “(...) Eles diluem o evangelho, encurtam ainda mais seus ralos sermões e adaptam uma estratégia de marketing para seu ministério. Ao fazerem isso, rebelam-se contra Cristo.”¹
            Somente Jesus Cristo, através das Escrituras, pode nos consolar. Não são as lágrimas geradas por músicas que mais glorificam ao homem do que a Deus; nem tão pouco mensagens e revelações criadas a partir de emocionalismo que trarão consolo aos nossos corações, mas a verdadeira Palavra de Deus.
            O livro “Graça abundante ao principal dos pecadores”, de John Bunyan, apresenta um interessante exemplo de como a Palavra vida de Deus pode favorecer o abatido:
“De fato, quando me assusto, ainda que com nada além de minha sombra, Deus, sendo muito terno para comigo, não permite que eu seja maltratado, mas me fortalece com um ou outro versículo, contra tudo, em tal extensão, que tenho sempre dito que poderia orar, se fosse lícito, pedindo-Lhe uma aflição maior, para receber maior consolação.”²
            Não foram poucas as vezes em que Bunyan foi assolado por temores e lutas quando esteve preso por 12 anos. Não foram “profetas” determinando sua vitória, nem muito menos profetizando a exaltação sobre sua vida que o consolou, mas a Palavra o consolava contra tudo.
            Se o Espírito Santo, segundo a promessa de Cristo, nos faria lembrar de tudo quanto ouvimos do mestre (Jo 14:26), torna-se impossível lembrarmos de algo que não conhecemos por negligência no estudo sistemático das Escrituras.
            Definitivamente não há atalhos para a comunhão com Deus, senão uma vida de oração intensa e meditação nas Escrituras. A consolação que temos nela é garantida através dela, vejamos:

“Isto é a minha consolação na minha aflição, porque a tua palavra me vivificou”. (Sl119:50);
 “Sirva pois a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra que deste ao teu servo”. (Sl 119:76);
“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.” (Rm 15:4)

            Por isso que vimos, é sempre necessário voltarmos nossos olhos para a Palavra, pois em todas as aflições somos consolados por ela, pois conhecemos a benignidade de Deus e por ela temos esperança. Consolemos uns aos outros, na medida que somos consolados, com essas Palavras.

Que o Deus de paz nos ajude!

¹ MACARTHUR John. Escravos. Editora Fiel
² BUNYAN, John. Graça abundante ao principal dos pecadores. Editora Fiel
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