quarta-feira, 5 de junho de 2013

A má notícia e as boas novas

Por Alexandre Nobre

Uma noite, no fim do culto, um homem entrou na igreja em que eu congrego e começamos a conversar sobre as consequências daqueles que não buscavam a Cristo e partiam desse mundo. Ele, apesar de não ser um cristão, parecia preocupado, ou pelo menos incomodado com o sofrimento que o inferno representava. Nessa conversa, tentei lhe explicar que, o pior do inferno não seria apenas o sofrimento; o sofrimento sim faria parte de um todo, mas a pior coisa que aconteceria era a total e eterna falta de comunhão com Deus. Ainda que o inferno não trouxesse o sofrimento ou, como alguns acreditam, ainda que as almas caíssem num sono profundo e eterno, o pior castigo certamente seria a exclusão de uma vida de comunhão com o Senhor. Nenhum lugar, por melhor que seja, é bom se não se puder desfrutar da comunhão com nosso Deus. E um paralelo, ainda que em um grau bem menor, foi vivido pelos filhos de Israel conforme veremos a seguir.
            A cena que se via foi extremamente chocante para Moisés. Deus já havia dito que o povo havia se corrompido e se desviado do caminho; mesmo assim o que se viu causou grande furor em Moisés (Ex 32:19) e a explicação de Arão foi uma só: “... tu sabes que esse povo é inclinado ao mal” (Ex 32:22). Essa era e sempre será a condição do homem: inclinação ao mal. Apesar de Moisés advogar junto ao Senhor por aquele povo, a idolatria não ficaria em vão. Aconteceu então que: “Disse mais o Senhor a Moisés: Vai, sobe daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito, à terra que jurei a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: A tua semente te darei. E enviarei um anjo adiante de ti ... porque eu não subirei no meio de ti, porquanto és povo obstinado, para que te não consuma eu no caminho” (Ex 33:13).
            Até aqui, apesar do pecado do povo, o castigo de Deus não parecia dos mais severos; o povo ainda assim tinha a promessa de alcançar a terra prometida. Mas a sentença dada fez com que o povo abrisse os olhos para a maior dádiva recebida: a presença de Deus entre eles; vejamos o que aconteceu: “E, ouvindo o povo esta má notícia, entristeceram-se, e nenhum deles pôs sobre si os seus atavios.” (Ex 33:4).
            O desenrolar da história podemos conferir nas Escrituras, mas o foco aqui é ver a reação do povo quando se ouve que Deus não subiria no meio deles: eles entristeceram-se! Esse é o resultado prático daquele que ouve uma má notícia: a tristeza vem; e com ela o vazio de quem olha a situação e nada pode fazer.
Se formos comparar essa situação de uma forma macro para a situação do homem de todos os tempos, poderemos encontrar similaridades aos montes. A sentença da ausência de Deus foi resultado da prática da idolatria do povo; mas essa idolatria é a manifestação externa da maldade do homem, da sua necessidade de criar para si um substituto de Deus. Isso sem contar que a desculpa de Arão para a idolatria do povo é fatalmente nossa natureza mais íntima: “... esse povo é inclinado ao mal”.
Esse povo sou eu, é você; não adianta tentarmos exibir nossa fantasia de caridade, nem nos agarrarmos em nossas “boas” obras, pois sabemos e conhecemos a realidade que habita em nós. Lembra-se de Adão e Eva? Mesmo com todas as regalias e benesses do paraíso, bastou uma oferta da serpente para que o fiel da balança se movesse, infelizmente na direção errada. Aliás, esse é um dos temas mais debatidos no meio teológico: a depravação total do homem. Somos inclinados ao mal, essa inclinação é fruto do pecado e corrupção do homem, por isso temos, assim como o povo de Israel, o mesmo diagnóstico conforme Paulo escreveu aos Romanos, veja: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Dessa vez a sentença não é apenas sobre um povo, mas sobre todos... todos foram separados de Deus e essa má notícia pairava sobre os homens numa sentença imutável.
Porém, como diz as Escrituras, o Senhor teve misericórdia dos homens e essa misericórdia se manifestou no nascimento, vida, morte e ressurreição do Seu filho Jesus Cristo. E quando apenas a má notícia pairava sobre o destino da humanidade, um anjo do Senhor apareceu a três pastores, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E diz as Escrituras: “... não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo; pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lc 2:10-11).
            Percebemos que nossa situação foi transformada radicalmente, pois o que se podia comentar era que as más notícias tinham ficado pra trás; boas novas de salvação poderiam ser proclamadas, pois Ele veio para libertar os cativos; Ele veio para iluminar nossas trevas, pois de Si mesmo falou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12).
            Portanto, hoje somos alcançados por essa boa nova de salvação. Outrora, estávamos como os filhos de Israel, andávamos sob essa má notícia, ou talvez ainda pior, pois enquanto os filhos de Israel caminhavam para a terra que mana leite e mel, nós andávamos como cegos em direção a um abismo eterno, longe da comunhão com nosso Deus. Talvez, em algum momento, direcionamos nossos olhos para algo que, de forma infinitamente débil, tentou substituir o lugar de Deus em nossas vidas, porém lembramos-nos das Palavras do nosso Salvador quando perguntou: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (MT 16:26). Nada se compara à presença de Deus em nossas vidas, por isso hoje e sempre as boas novas são novas de grande alegria, pois Nele temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça (Ef 1:7). No relato bíblico inicial vemos que o próprio Moisés reconhecia de forma absoluta a necessidade da presença de Deus, pois ele mesmo rogou ao Senhor: “Se a tua presença não for conosco, não nos faça subir daqui.” (Ex 33:15).
            A experiência com aquele homem que parecia tão incomodado com o sofrimento do inferno me fez perceber que esse incômodo e desesperança não precisam habitar em mim, pois fui salvo na cruz pelo meu Redentor, e não somente salvo da ira, mas salvo do abismo de separação que havia entre Deus e eu. A partir do dia em que ouvi as boas novas de salvação e recebi a graça posso descansar, pois confio nas promessas de Deus e na Sua presença. Retenhamos então firme a nossa confissão!!


Que o Deus de paz nos ajude!

3 comentários:

Marilena Pinto disse...

Amei essa postagem, parabéns!Conforme ia lendo via o caminho de nossa pequenez para a glória divina Jesus Cristo nosso caminho de Luz.

Marilena Pinto disse...

amei!

Alexandre Nobre disse...

É verdade Lena! A Palavra vida de Deus e Sua vontade são dignas de honra!!

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